A DECADÊNCIA DOS JORNAIS LOCAIS


Na democracia portuguesa assiste-se a um fenómeno muito estranho, os jornais são menos críticos e independentes do poder do que eram quando enfrentavam uma ditadura. Durante a ditaduras os jornalistas procuravam enganar o poder para fazer chegar as notícias aos seus leitores. Agora desrespeitam os seus leitores tentando enganá-los manipulando as notícias ou, muito simplesmente, calando qualquer capacidade crítica.

Isto demonstra como o lápis azul é bem menos eficaz do que outros truques que estão sendo usados em democracia. Nem é preciso ir tão longe como ia o Alberto João Jardim quando era presidente do governo regional da RA da Madeira. O Alberto tinha o Jornal da Madeira por sua conta e boicotava financeiramente todos os outros.

Há muitos triques para adocicar um jornal ou, pior ainda, para injetar gelatina na sua medula óssea, tornando num pasquim desinteressante ao serviço do poder. As dificuldades sentidas pela imprensa e a moda do consumismo levou a que sejam muitos os jornalistas que estão à venda. Alguns ainda se safam trabalhando na comunicação do futebol, outros alimentam os seus rendimentos com chamadas de valor acrescentado ou com publicidade subliminar nos seus artigos.

Mas os pequenos jornais locais enfrentam o isolamento e se os seus editores forem incompetentes só lhes resta andarem na babuja do poder para conseguirem subsídios para a família ou pequenos contratos que lhes sirvam de balão de oxigénio. É uma pena que assim seja e tirando alguns exemplos notáveis, muitos grandes pequenos jornais do passado são hoje um motivo de vergonha para os que se lembram do que foram. Felizmente, no Algarve ainda se vai vendo algum jornalismo, principalmente online.

Quando um jornal depende de um poder autárquico que vive da manipulação caba por ser ele próprio um instrumento dessa manipulação. Jornalistas que dependem de subsídios ou cujos jornais dependem dos favores dos contratos autárquicos tendem a deixar de ser jornais para serem pasquins ou meras newsletters dos autarcas sem escrúpulos.