O MEDO



O medo de ser livre provoca o orgulho em ser escravo”, Dostoievski 


As ditaduras são muito práticas a silenciar a oposição, em regra recorrem á prisão arbitrária. Era o que sucedia com o anterior regime, a regra era a prisão e ocasionalmente chegava ao extremo do homicídio, como sucedeu com Humberto Delgado, recorrendo nalguns casos à difamação.

Em democracia não faltam os que querem manipular os mecanismos eleitorais para s certificarem de que continuam no poder. Infelizmente os casos não são assim tão rasos e quer nas regiões autónomas, quer nas autarquias não faltam exemplos de situações que podem ser designadas de asfixia democrática, termos muito queridos à nossa direita, que os usam contra os governos do PS sempre que lhes faltam melhores argumentos.

Numa autarquia podem desenvolver-se mecanismos que desvirtuam o jogo eleitoral e põem fim à democracia. A exploração das situações de pobreza económica e cultural com recurso a mão amigas e generosas em tempo de eleições, a ameaça com tribunais em relação a todos os que usem criticar, a ameaça de perdas de empregos ou de encomendas municipais, não faltam esquemas que num pequeno concelho são mais do que suficientes para garantir os resultados em eleições sucessivas. Não admira que algumas autarquias surjam pequenas Madeiras de fazer inveja ao Alberto.

A regra é o medo, é o medo de perder o emprego, o medo do processo disciplinar, o medo de ser excluído dos concursos municipais, o medo de ser perseguido judicialmente e ser obrigado a suportar advogados e custas judiciais, o medo de perder o subsídio, o medo de já não poder ir passear a Cuba. Num pequeno concelho criticar ou bajular uma autarquia ou um autarca corrupto ou incompetente pode ser a diferença entre ser ou não pobre, ter ou não emprego, receber ou não um subsídio.

Dantes usava-se a PIDE para criar medo, agora há múltiplos mecanismos para conseguir os mesmos resultados. Dantes era apenas o medo de ser preso, agora é o medo de tudo, porque o autarca é amigo do empresário, é amigo do magistrado, é amigo de todos os fiscalizadores, tem dinheiro dos contribuintes para pagar a advogados, usa o dinheiro dos contribuintes para escolher quem tem sucesso ou está condenado à miséria.