CONTRASTES

Esta era a visão do Luís Gomes e da São, uma nova cidade à imagem da Germania de Albert Speer, a nova Welthauptstadt, uma Germania do Baixo Gudiana, tal como foi prometida aos vila-realenses e anunciada ao mundo:






Até o Jornal do Algarve aderia à basófia e anunciava sem aspas que "Passeios ajardinados, novas praças, construções imponentes, hotéis, parques de estacionamento, novas áreas residenciais, entre outras, serão erguidas, na sua maioria, em zonas que atualmente se encontram ao abandono…”. Era um mundo novo que começava na foz do Guadiana e acabava com um resort de luxo em Cacela.

Hoje a gloriosa Germânia do Baixo Guadiana, que iria substituir o Marquês de Pombal pelo  duo luso-cubano formado pela São e pelo Luís não passa de um pesadelo, um pesadelo de dívidas e um pesadelo de miséria. E em vez da grande cidade imaginada com a ajuda de 170.000 € pagos ao arquiteto criativo, temos isto:





Um dos mais miseráveis bairros de lata que podemos encontrar no país, ainda que com uma estranha janela virada para o rio, a lembrar o velho bairro da lata dos anos 60 ou o bairro da lata do Campo do Glória que acabou em 1974. Décadas depois de Vila Real de Santo António ter eliminado os bairros da lata eis que eles surgem no lugar onde deveria estar edificada a cidade imaginada pelo Luís e pela São. A miséria política parece dar lugar à miséria humana.

Mas enquanto há gente a viver nestas condições o autarquia permite que alguns sortudos ganhem com negócios envolvendo um apartamento num bairro social:


A autarquia vende uma casa de habitação social por pouco mais de 3.000 euros no bairro dos 112 fogos à entrada da vila . A escritura de compra tem clausulas taxativas como a impossibilidade de alienação nos primeiros 7 anos e o exercício do direito de compra pela autarquia contratualmente estabelecido com base no preço de venda acrescido da inflação.

Um banco aceita hipotecar a casa e sem conhecimento da câmara assume a sua titularidade num ato ferido de ilegalidade. O Novo Banco arranja um comprador para a casa por cerca de 75 mil euros e pede ao município autorização para vender.

Apesar da grave falta de habitação no concelho e de poder recomprar a casa por cerca de 5 a 6 mil euros a câmara autoriza deixando de poder ter uma casa disponível para uma outra família carenciada e beneficiando privados que receberam quase de borla uma casa.

Os vereadores do PSD  são alertados para a possibilidade legal do exercício do direito de preferência por valores muito baixos mas mesmo assim acabaram por votar a favor e autorizar a delapidação do património municipal.

Entretanto mesmo com as enormes dificuldades financeiras a câmara continua a apoiar o arrendamento a uma série de munícipes, alguns em montantes anuais superiores ao valor que teria de pagar pela casa em causa.

Trata-se de uma forma original de fazer política social. A propósito, os compradores não são nenhuma família vila-realense com necessidade de habitação, são turistas europeus.

A autarquia dá a ganhar cerca de 70.000 euros a um branco, certamente porque está empenhada em dar o seu contributo para o refinanciamento do depauperado ex-BES, até porque este banco precisa de compensar os seus valiosos investimentos no mundo da bola.

O Senhor  gerente do banco, que coincidência das coincidências até é deputado da Assembleia Municipal, está de parabéns pela forma como defendeu os interesses do banco que é quem lhe paga o ordenado. Entretanto, os vila-realenses, incluindo aqueles que vivem no bairro da lata e os que vão à São para que esta lhes mate a fome, perderam 70 mil euros, porque perder de ganhar 70 mil é a mesma coisa que os dar sem qualquer concurso público.



Talvez a Sã queira dedicar a sua primeira conversa ao estilo Hugo Chavez a este negócio muito original, até seria uma boa oportunidade para nos informar sobre como estão correndo as obras da nova cidade que iam transformar VRSA na Dubai do Guadiana.