VAMOS TODOS OUVIR A PRESIDENTE!



Talvez numa tentativa de descolar da imagem do passado, provavelmente porque não tendo voz para concorrer com a Ruth Marlene decidiu sair do duo que formava com o famoso cantor luso-cubano agora a dar música em Castro Marim, a nossa autarca desencadeou uma ofensiva na comunicação social.

Começou por dar uma “entrevista de fundo” ao Sul Informação, a coisa foi anunciada como uma espécie de entrevista em formato de telenovela, mas deve ter corrido mal, a entrada foi de leão e algumas baboseiras prometiam. Depois de se ter gabado de ter morto a forme a muitos vila-realenses todos esperávamos pelos próximos episódios. Mas até agora nada.

Parece que mudou de ideias e com a ajuda da família Mendes vai lançar uma versão cabritiana das famosas Conversas em Família do Marcelo, do outro, o padrinho de batizo do atual. É uma programa a seguir com muita atenção e ouvidos de ouvir. 

O formato assegura um controlo total, não há contraditório, nada é espontâneo, mandam-se as perguntas para um endereço de e-mail que não se sabe se é gerido pelo radialistas da Guadiana ou se pelos pirralhos encarregues de gerir e censurar os comentários na página de Facebook da São. Assim é fácil a São até pode combinar as perguntas supostamente incómodas que lhe convém, tem todas as condições para preparar as perguntas e respostas.

Antes da emissão começar vale a pena levantar algumas questões:

  1. Quem gere o endereço de e-mail para onde são enviadas as perguntas, o pessoal da São ou da rádio?
  2. A transmissão é em direto ou em diferido?
  3. Quem exerce o contraditório?
  4. As perguntas incómodas a que a autarca se recusar a responder são lidas?

Mas vale a pena ouvir e tentar desmontar a encenação. Durante a emissão devemos estar atentos a alguns pormenores:

  1. As respostas são espontâneas ou revelam preparação, o que será percetível na construção do discurso oral e mesmo na dicção. A autarca tem um discurso perfeito, bem pausado e sem falhas ou tem um discurso tipicamente oral, com descontinuidades, interrupções de raciocínio e outros “tiques” de quem não está a ler um papel que lhe foi dado.
  2. Há perguntas incómodas e estas incomodam mesmo ou não passam de perguntas falsamente incómodas e previamente combinadas para que a autarca possa “bater” numa oposição a quem é recusado o direito ao contraditório.

É óbvio que a autarca tenta a todo o custo desligar-se da imagem de Luís Gomes, correndo na sua própria pista. Ela sabe que o atual mandato autárquico funciona para o seu antecessor como uma sabática e que se Luís Gomes não conseguir ascender ao estrelato musical vai precisar da autarquia para viver. 

Não é só com a oposição que a São Cabrita luta, é principalmente com a sombra do seu antecessor e ao mesmo tempo que se desfaz em elogios a Luís Gomes tenta afirmar a sua imagem para que daqui a três anos não lhe suceda o mesmo que ao antigo cacique de Castro Marim.