AS BOAS CONTAS FAZEM OS BONS AMIGOS



Os munícipes têm o direito de saber se a sua autarquia está sendo bem gerida, de perceber porque motivo a dívida aumenta a tal ponto que a autarquia está falida. Um autarca honesto tem toda a vantagem em explicar as contas da autarquia aos seus concidadãos, não por questões meramente legais ou políticas, mas porque está ali com o seu voto, está ali para os servir e está ali para lhes prestar contas.

Se a autarca de Vila Real de Santo António, que está há décadas a assinar quase tudo na autarquia, depois de ganhar as eleições teve necessidade de estar uns tempos a conhecer a situação da casa, de onde lhe vem o direito para recusar aos que a elegeram o direito de também conhecerem a situação da autarquia?

As contas das autarquias foram feitas para que os cidadãos as conheçam e não apenas para serem entregues ao tribunal de Contas. Devem ser transparentes e para isso devem ser explicadas. Esconder as contas de uma autarquia serve apenas para levantar suspeitas, para legitimar dúvidas, para promover insinuações. Se uma autarca está disposta a tudo isto para impedir os que a elegeram de conhecerem a situação real da democracia é porque tem algo esconder, porque não está segura do que vai mostrar ou porque não quer que se saiba o que fez no passado?

Calculamos que a autarca São Cabrita esteja em dificuldades, sem saber se deve atribuir as culpas ao antecessor ou assumi-las já que era ela que assinava quase tudo. Não deve ser fácil gerir uma autarquia endividada, que atrasa pagamentos para processar vencimentos e ainda usar dinheiro para outdoors de campanhas oportunistas e desnecessárias. Mas mais tarde ou mais cedo o buraco fica à vista e não há alcatrão nem outdoors que os tapem.

Talvez seja melhor estratégia para a São Cabrita dar a conhecer todas as contas e assumir desde já as suas responsabilidades na situação financeira da autarquia.