AS PERIFERIAS DA PERIFERIA




Numa época de exaltação regionalista em que se tenta promover a revolta contra o governo com base no argumento da marginalização da periferia, seria interessante perceber se a gestão autárquica de Vila Real de Santo António promove o desenvolvimento equilibrado do concelho, distribuindo os recursos de forma a proporcionar condições de igualdade a todos os seus cidadãos, independentemente de residirem na Praça Marquês de Pombal, na zona serrana de Cacela ou no “sertão”.

Apesar de ser um dos mais pequenos concelhos do país VRSA não podia deixar de ser mais diverso, havendo mesmo a descontinuidade geográfica com Cacela a fazer de enclave entre os concelhos de Tavira e Castro Marim. As três freguesias não podiam ser mais diferentes no tecido social, na economia ou na geografia e mesmo na história.

A sede do concelho concentra a maioria das escolas, a quase totalidade dos serviços públicos, as instituições da Administração Central, em suma, quase todo o emprego público. É também a sede do concelho o local de origem da maioria dos políticos locais dos grandes e pequenos partidos.

É bem provável que as assimetrias entre, por exemplo, a freguesia de Vila Nova de Cacela e  sede do concelho, sejam bem maiores do que entre o concelho e as zonas mais ricas do país. Seria interessante comparar os investimentos públicos da responsabilidade do Estado e da Autarquia nas três freguesias do concelho, para aferirmos o grau de marginalização das periferias dentro de um concelho geograficamente tão pequeno.

Se não existisse qualquer forma de poder autárquico bastaria a concentração dos investimentos da Administração central na sede do concelho para que a injustiça na distribuição de recursos fosse evidente. A sede do concelho atrai o tribunal (que já foi nas Casas da Audiência), a escola secundária, os serviços camarários, a Autoridade marítima, a Autoridade Fiscal e Aduaneira e em consequência desta concentração de serviços públicos seguem-se uma série de atividades de serviços como a banca, seguradores, redes de distribuição, escolas de condução e outras atividades.

A questão que se coloca é saber se os investimentos camarários e a distribuição dos recursos que apoiam a população ou as iniciativas das regiões visam corrigir estas assimetrias ou, se numa lógica de puro eleitoralismo, se dirigem sempre para as mesmas zonas do concelho, marginalizando outras. Um agricultor com poucos recursos numa aldeia da freguesia de Cacela recebe de forma direta ou indireta os mesmos apoios que os pescadores de Monte Gordo? Os apoios a jovens são distribuídos equitativamente entre os três concelhos ou a maioria dos empregos criados pela autarquia se concentram apenas nalgumas zonas do concelho.

Receamos que as assimetrias dentro do concelho de Vila real de Santo António sejam bem grandes e que a autarquia pouco fça para as corrigir, piro ainda, é bem provável que estejam a aumentar em consequência de uma política que em vez do progresso tem por único objetivo gerir as expetativas eleitorais da São e do Romão.