OS COMERCIANTES DE NASCENTE E OS COMERCIANTES DE POENTE




Parece que a São Romão se meteu num imbróglio complexo com a questão da circulação na Rua Teófilo Braga, tentou corresponder as desejos de alguns comerciantes e agora vê-se confrontada com a oposição de outros. Há muito que são meia dúzia de comerciantes a mandar em Vila Real de Santo António e mais tarde ou mais cedo iríamos ter uma situação.

Para utilizar a linguagem fina da geografia diria que estamos a assistir a um confronto comercial entre os comerciantes de nascente com os de poente. Os de nascente beneficiam há décadas da melhor rua comercial da cidade. Os de poente descobriram que o troço pedonal da Rua Teófilo Braga podia dar mais um pulinho e chegar até onde no passado se apanhavam os trens para Monte Gordo. Parece que as rivalidades norte-sul entre os putos do Largo da Forca e os do largo da Bica, deu lugar a um conflito Leste-Oeste e os cotas de nascente não querem que os de poente apanhem os clientes antes destes chegarem à doca das caravelas.

O problema é que esta não é apenas a forma mais pobre e miserável de abordar a questão, o interesse de VRSA não pode ser medido pela argumentação montada a pensar nos interesses de uns ou de outros. A avaliação do impacto não se faz contando carros durante meia hora. Há um problema grave de mobilidade em Vila Real de Santo António e esse problema começa na rua estreita das Hortas e no estado da EN122, acabando nos parquímetros e na caça desenfreada à multa do estacionamento. De que serve contar os carros que passam na Teófilo de Braga, se não se contam os que viram para Castro Marim quando chegam à Praia Verde.

O problema é sério, está condenando Vila Real de Santo António e no fim tanto perderão os comerciantes do poente como os que desfrutam das boas águas da doca das caravelas. Nesta batalha naval entre as caravelas de poente e as canhoneiras de poente o mais provável é que acabem todos no fundo e nem o São Romão da Avenida os salva