QUANDO UNS BURACOS TAPAM OS OUTROS

Quando Portugal atravessou uma grave crise financeira algumas personalidades da direita consideraram que os governantes responsáveis por essa situação deveriam ser responsabilizados criminalmente. Quando veio a Troika o PSD tudo fez para que a dívida fosse a maior possível, chegando a alertar a Troika para a existência de esqueletos no armário.

A autarquia de Vila Real de Santo António está para o país como Moçambique está para os membros do FMI, tem uma das maiores dívidas, a situação financeira torna-a inviável e ninguém consegue saber muito bem a quem se deve. Mesmo assim não falta dinheiro para comprar votos com ajudas dos mais diversos tipos ou para pagar outdoors em fantochadas muito apreciadas por alguma intelectualidade e apoiada por candidatos a pré-candidatos a eleições do futuro.

Ainda recentemente o Conselho de Finanças Públicas alertou para o buraco em autarquias como a de Vila Real de Santo António. Nesta imensa Casa de Segredos que são as autarquias falidas a candidata São colocou o nome da cidade nas primeiras páginas. 

« Com dívida total superior em 3 vezes a média da receita corrente líquida entre 2014 e 2016 (rácios de 300%), ou seja, que segundo a LFL estão em rutura financeira, estão cinco municípios: Cartaxo, Fornos de Algodres, Nordeste, Vila Franca do Campo, Vila Real de Santo António.» TVI24

A autarca da cidade viola sem qualquer pudor a Lei das Finanças Locais, que estabelece que a a dívida da autarquia (incluída a da escondida na SGU) não pode ultrapassar, em 31 de dezembro de cada ano, 1,5 vezes a média da receita líquida cobrada nos três exercícios anteriores. O rácio em VRSA é mais do dobro e se não fosse as receitas futuras que a autarquia anda a antecipar, comprometendo o futuro, o rácio estaria ainda mais fora da lei. As assinaturas da São Cabrita são tantas ao longo destes anos que se poderia dizer que a então vice-presidente da autarquia é a mãe da dívida, o pai fugiu e dedicou-se à música.

Depois de tudo o que se disse no passado e ainda se diz dos responsáveis pela dívida pública do país não entende que a autarca de Vila Real de Santo António se oponha a que os munícipes conheçam o que levou e quais os responsáveis pela falência de Vila real de Santo António. Compreende-se o empenha autarca em tapar os buracos na EN125, enquanto manda pessoal fazer gincanas nos buracos da EN125 vai tapando o buraco nas contas da autarquia com os buracos dos outros.

Enfim, a autarca de VRSA não tem dinheiro e a melhor forma de esconder os seus buracos foi iluminar os buracos dos outros. Só que não há tapete, nem cosmética que tape o buraco financeiro da autarquia, daí que a autarca queira impedir de forma desesperada que o mesmo seja analisado.