REQUALIFICAR A EN125 E A EN122



Quando foi construída a Via do Infante Vila Real de Santo António ficou mais isolada do que alguma vez esteve, quem vai ou vem de Espanha já não precisa de se dirigir a VRSA e desde então que as duas vias de acesso à cidade têm o traçado quase original. A única alteração ocorrida foi entre entre a cidade e o cruzamento com Monte Gordo, onde a requalificação desse troço da EN125 o transformou numa rua estreita.

É inaceitável que três concelhos turísticos não tenham vias de circulação modernas e subsista uma estrada com o traçado dos anos 60 e em más condições. A estrada não só é inadequada e está sem condições, como é um conceito inadequado. Não basta que fique com um bom tapete e com bermas em condições, tudo com dimensões e traçado igual ao dos anos 60.

É uma estrada de grande movimento e com acesso a muitas praias, serve muitas pequenas aldeias cujos habitantes a usam para a suas pequenas deslocações, é uma estrada numa zona plana onde há a tradição de utilização de bicicletas. Quer pela população local, quer por muitos estrangeiros que tê fixado residência nesta região.

A requalificação implica o alargamento das faixas de rodagem, redesenhar os acessos locais, a criação de faixas adicionais nos pontos de estrangulamento da circulação, a renovação e modernização de toda a sinalização e a instalação de ciclovias. Isto quer na EN125, quer na EN122. O problema de VRSA não é apenas de uns buracos, é o do isolamento e de entre os três concelhos do extremo Sueste do país é o que está mais isolado e prejudicado pelo esquecimento a que foi votado.

Em vez de se transformar o problema dos acessos a VRSA numa questão de guerras partidárias ou de protagonismos de gente ambiciosa é importante que o problema seja debatido com seriedade e a pensar nos interesses do país, da região e de Portugal.

O problema dos acessos a VRSA é demasiado importante para que gente pequenina o transforme em intriga partidária ou em motivo de vaidade pessoal de gente pequenina, é um problema de desenvolvimento local e regional. Nesta perspetiva não se pode dissociar a EN125 da EN122 e do impacto da Via do Infante e da ponte sobre o Guadiana no desenvolvimento dos concelhos do extremo sueste do Algarve e neste quadro Vila Real de Santo António é de longe o único verdadeiramente prejudicado. E importa não esquecer que o troço entre o Pinheiro e Tavira é o maior da Via do Infante, fazendo sentido questionar porque não há uma saída em Cacela.

Ao optar por uma estratégia pessoal e tacanha, transformando um debate sério numa questão de chacota política, e reduzindo o problema do desenvolvimento regional a fotografias de buracos e manifestações para fotografar no Facebook, a autarca da direita perdeu uma boa oportunidade de envolver os três concelhos numa estratégia de desenvolvimento e em vez de trazer o Governo para um debate sério preferiu umas fotografias na comunicação social.