CONSEQUÊNCIAS A PRAZO DO ASSISTENCIALISMO OPORTUNISTA




O esquema montado pelo poder apodrece a sociedade no seu todo e vai ter consequências mais graves a médio e longo prazo. Essas consequências far-se-ão sentir nas empresas, no cidadão comum e mesmo no seio das “boas famílias” do regime.

O ambiente empresarial de Vila Real de Santo António está fortemente marcado por um modelo de intervenção na economia que faz lembrar outros tempos ou outros quadrantes políticos. O peso das autarquias nas economias locais de pequenos concelhos é esmagador, não só muitas empresas dependem das encomendas e dos pagamentos das autarquias, como muitos processo de licenciamento são decididos ao nível autárquico.

Em vez de se tornarem competitivas nos mercados as empresas especializam-se em gerir as relações com o poder, sobrevivem, mas ficam mais fracas, em vez de serem competitivas segundo as regras da economia passam a sê-lo porque os seus gestores dominam a arte da bajulação e da submissão.

Até as supostas elites acabam por perder qualidades, a meritocracia é eliminada, os empregos correspondem ao pagamento de favores, há famílias inteiras que sobrevivem à custa deste esquema e os jovens dessas famílias vão ser formados em valores que têm por base o compadrio, o jogo sujo, a traição a corrupção de valores.

Como de costume os mais pobres são os mais lesados e numa sociedade onde a escola e a qualificação são a única forma de romper com o círculo vicioso da pobreza a mensagem que este assistencialismo montado para ganhar eleições é a de que é mais fácil ganhar vendendo votos do que estudando ou procurando emprego. Não admira que havendo tanta gente a viver da mendicidade oficial acabe por ser difícil preencher ofertas de emprego. Resta saber o impacto desta cultura de miséria nas escolas, onde o funcionamento das turmas é necessariamente perturbado por alunos cujo ambiente familiar não favorece a dedicação e o estudo.