LUÍS GOMES, UM CASE STUDY EM PERVERSÃO POLÍTICA



Goste-se ou não da personagem, Luís Gomes, o conhecido cantor de Castro Marim, é um case study da política algarvia, nem sempre aparece uma personagem modesta a transformar-se numa espécie de patrão de uma família à escala regional.

Começa como um rapazinho protegido de um político e pouco tempo depois elimina o padrinho, como se o velho professor alentejano tivesse parido um Frankenstein. Ninguém em VRSA acreditaria que ele faria o que conseguiu, numa terra onde a esquerda era maioria ele conseguiu destruir partidos como não sucedeu em nenhuma outra localidade.

Transformou uma minoria numa maioria comprando vereadores de um partido da oposição, conseguiu ser uma personalidade respeitada e apoiada de forma militante por Cuba e até o embaixador daquele país teve a deferência de se despedir pessoalmente dele quando deixou o país.

Fez gato sapato do seu velho mentor e derrotou-o por várias vezes, pondo fim à sua carreira política, partidos que no passado tinham jovens e conseguiam a maiorias absolutas quase foram eliminados do mapa político local.

Conseguiu ser membro do Conselho Mundial do Projeto José Martí, algo que seria inimaginável para um político de direita. Ao chegar a presidente da distrital do PSD do Algarve conseguiu manipular a escolha de muitos altos dirigentes do Estado, desde o agrupamento escolar da sua terra a muitos dirigentes distritais de diversos organismos público. Ao mesmo tempo conquistou o coração ao aparece ao lado de José Sócrates, defendendo a sua inocência no negócio de Vale de Lobos.

Infelizmente perversão e competência são coisas bem distintas, ambição e honestidade política não são sinónimos, sucesso político pode significar manha em vez de honestidade e inteligência. Hoje percebe-se que Vila real de Santo António perdeu, está cheia de obras de fachada, o lixo acumula-se, nascem restaurantes em locais onde se pensava ser imaginável, negócios apresentados com espalhafato aguardam inaugurações há muito prometidas.

O concelho ficou endividado até níveis insuportáveis, comprometendo o seu futuro, a miséria alastra, os bairros da lata estão à vista, há sucata à vista de todos, os jardins estão abandonados. A únicas empresas contentes são as dos amigos do poder, a única instituição bem-sucedida é a Mão Amiga com a qual a autarquia “mata a fome” de muita gente, do que se gaba a atual presidente. Mas a destruição ainda não foi total, ainda se corre o risco de as águas serem vendidas, pra que a São Cabrita ainda possa tentar manter-se no poder.