O ELOGIO DA INTELIGÊNCIA



Concorde-se ou discorde-se, o comentário de Pereira de Campos (quarto comentário num post colocado pelo Luís Camarada no VRSA+Espectacular sobre a temática da mobilidade e acessos numa cidade merece ser lido, porque é uma opinião notável. Uma cidade é um ser vivo e não deve ser abordada como um calhau, é por isso que é assunto para arquitetos, sociólogos, geógrafos e outros especialistas nas sociedades humanas e não por calhaus ou especialistas em calhaus.

Na vida social não há lugar a experimentação, não se colocam sinais por tentativa e erro para tirar conclusões depois, os cidadãos não são cobaias de uma qualquer São por mais esclarecida que ela esteja. Estuda-se, debate-se, reflete-se e depois de um processo cuidado e multidisciplinar toma-se uma decisão e nessa ocasião o processo de decisão é necessariamente político e é para isso que servem os nossos eleitos na Assembleia Municipal, o órgão da autarquia com competências nesta matéria e que foi ignorado e desprezado neste processo.

Vivemos numa sociedade democrática, instituímos um modelo de convívio e decisão assente no direito e no princípio da legalidade, onde o princípio basilar é a legalidade. Os autarcas não são donos, não acordam com uma ideia brilhante e colocam sinais de trânsito à tarde, esse tempo morreu à muito, quando a época medieval deu lugar a formas mais modernas de viver em sociedade, onde a prepotência e a obscuridade cedeu à inteligência.

É por isso que os sinais que alguém mandou colocar são um monumento à arbitrariedade, um elogio à incompetência e à falta de inteligência. É por isso que a uma lógica de bestas quadradas preferimos opor o elogio à inteligência e sugerimos a leitura e debate do comentário de Pereira de Campos.