O PREÇO DE SE SER CALOTEIRO


Cédula de 1 centavo emitida pela CM de VRSA durante a 1.ª República (*)


Cidadão, uma empresa, uma instituição, uma autarquia ou um Estado têm toda a vantagem em ser financeiramente credível, um bom pagador. Quanto pior for a situação financeira de quem precisa de recorrer ao crédito maiores serão os custos que terá de suportar, porque maior será o risco do crédito que lhe será concedido.

A pesado fardo financeiro criado pela liderança autárquica do Luís e da São (e por José Carlos Barros, Romão e da própria São, como vice-presidentes), tem custos para vão muito para além da permanente asfixia da autarquia e da incapacidade por parte desta de investir, limitando-se a uma gestão corrente com permanentes dificuldades de teouraria.

O primeiro custo é, desde logo, o aumento das taxas de juro com consequências nos maiores custos do serviço da dívida, isto é, a própria dívida gera mais dívida. A autarquia é um credor de risco e com gestores pouco credíveis e isso torna o crédito amis dif´icil e mais oneroso, aumentando o peso do serviço da dívida. A dívida gera mais dívida por via dos juros que a autarquia é incapaz de pagar.

Mas há outros custos menos evidentes, o peso da autarquia na economia local é tão grande que os atrasos no pagamento acabam por se repercutir na saúde financeira de muitas empresas e instituições que dependem de pagamentos ou financiamentos autárquicos. Por outro lado, há uma ansiedade e insegurança permanente por parte dos fornecedores, colaboradores e instituições com as quais a autarquia mantém protocolos.

Um mau pagador acaba por ter maus fornecedores e é isso que tem sucedido na marginal de Monte Gordo, onde uma autarquia falida escolheu para as obras uma empresa falida. Em empresa ofereceu condições que não podia cumprir e a autarquia aceitou uma proposta que não ia ser cumprida. O desespero financeiro atrai empresas duvidosas ou em situação duvidosa.

Há ainda uma consequência menos evidente, Uma autarquia falida tem autarcas desesperados e isso conduz a más soluções, procuram-se investidores sem olhar a custos e meios. Uma empresa falida e desesperada fica em más condições para negociar, sejam contrapartidas a investimentos ou vendas de património. Uma empresa que pretende investir prefere um concelho gerido de forma responsável do que uma equipa autárquica incompetente, financeiramente desastrosa e desesperada. OS concelhos limítrofes de Castro Marim e Tavira estão em vantagem.

*) Perante a escassez de moedas de baixo valor facial algumas câmaras municipais substituíram-se à Casa da Moeda e de forma ilegal emitiram cédulas que circulavam como dinheiro. Esperemos que além de plantar sinais de trânsito a nossa autarca não se lembre de emitir cédulas para pagar as contas.