PRIMAVERA VILA-REALENSE




Há poucos meses quem visitasse o Facebook da “São Cabrita” lia duas vezes o nome da página, depois de conhecer as maravilhas da terra e de ler os comentários de felicidade extasiada de dezenas de comentadores tínhamos a sensação de nos termos enganados, relíamos o título porque em vez da São deveria ser o Facebook da Alice, porque a terra ali descrita era o “país das Maravilhas”.

A máquina estava bem oleada, os nomes dos comentadores repetiam-se, quando íamos ver os perfis de tanta gente feliz conhecíamos confrades, funcionários da autarquia, nomes com cheiro a sardinha e atum enlatado. Quando lá colocámos o primeiro comentário em nome do Largo da Forca foi eliminado poucos minutos depois e o perfil maldito foi banido, porque naquela página paga com dinheiro dos contribuintes a São só aceitava elogios e os seus rapazes sabiam o que tinham a fazer.

Hoje lemos a São e vemos uma autarca desorientada, a responder indiretamente a críticas, com um discurso a jogar à defesa. Os crentes ainda são os mesmos, mas as opiniões críticas são em cada vez maior número e os censores da autarquia perceberam que não podiam calar as opiniões desagradáveis, começaria a dar demasiado nas vistas.

Em pouco tempo as críticas multiplicaram-se e espalharam-se pelas redes sociais, os ais crentes hesitam, os mais dados a ajeitar cascos e casacas no alfaiate estão na fase de serem independentes, são cada vez menos os que defendem a senhora porque apercebem que há coisas indefensáveis. Nos mais fiéis, naqueles que fazem o papel sujo sente-se o desânimo, já há quem se lamente das grandes audiências das páginas da oposição. Os poemas da família passaram a ser dicionários de calão.

Vila Real de Santo António retoma as suas melhores tradições, os valores com que nasceu e em pleno verão vivemos uma Primavera de democracia. Os clãs dos Cabritas e dos Romãos vão ter um mandato bem menos descansado do que imaginavam e a mais de três anos de eleições até parece que já sentem o cheiro da derrota inevitável.