RESPOSTA AO FACEBOOK DA SÃO CABRITA



Parece que a Presidente da Autarquia não gostou comentário do Largo a propósito do seu vídeo onde distribui culpas pela desgraça de Monte Gordo e fez um longo comentário no seu Facebook oficial. Meia hora depois de o nosso comentário estar online, já a autarca estava (eram 00h30) a publicar a resposta.

Começa por uma afirmação das suas qualidades humanas e políticas declarando que:

«Não renego um único dia dos 12 anos em que integrei os anteriores executivos. Sou leal, sou solidária e não contem comigo para dizer uma coisa hoje e outra diferente amanha. Não será por, em Outubro passado, ter “herdado” do meu antecessor as obras de requalificação da praia de Monte Gordo que irão alguma vez ouvir-me a desculpar-me com isso.»

Pois, solidária, solidária, mas não se esqueceu de deixa no ar que herdou a obra e os atrasos. Se o objetivo era assumir a responsabilidade, fazia-o sem recordar que era uma herança. A verdade é que a sua participação na equipa como vice-presidente vai mais longe do que a lealdade ou solidariedade, trata-se de co-responsabilidade.


VRSA assina contrato de construção do passadiço da praia de Monte Gordo (Postal)

E sobre o desastre pelo qual é co-responsável ou responsável acrescenta que:

«Qualquer um que analise com imparcialidade politico-partidária e boa fé este assunto, sabe bem que não é a Câmara Municipal que pode ser acusada pelas dificuldades financeiras de uma empresa como a Soares da Costa; não é a Câmara Municipal que é culpada pelo atraso em obras que foram contratadas por particulares e no que a Autarquia não foi tida nem achada; e certamente não é a Câmara Municipal que pode tomar atitudes à margem e arrepio da lei para obviar o atraso das obras.

Lamento que alguns tenham tentado usar uma questão que nos devia unir a todos como arma de arremesso politico-partidário. Infelizmente ja estou habituada a essa forma cobarde, mentirosa e pouco limpa de fazer política.»

Não é à autarquia que cabe escolher ou exigir que sejam escolhidas empresas credíveis e que não estejam falidas, vigiar o cumprimento dos prazos desde o primeiro dia, adoptar as medidas de contingência que forem necessárias, planear a obra  de forma a que os prazos sejam realizáveis?

Quem planeou a obra? quem previu as medidas de contingência? Quem escolheu as empresas? Quem fiscalizou e adotou as medidas de forma atempada?

Já agora, apenas uma pergunta: as obras do passadiço vão continuar com os turistas a serem incomodados com máquinas a produzir milhares de decibéis a poucos metros de distância, perturbando o descanso de quem está de férias, para não referir as consequências do ruído para crianças e bebés? A resposta é mais do que óbvia, a autarquia ignorou totalmente qualquer risco de atraso e não previu a obrigatoriedade de paragem das obras em plena praia durante o período balnear. Vais ser a maior das vergonhas, pessoas a pagar férias para passarem horas a ouvir serras e martelos.


No tempo em que tudo ia correr bem e tudo estaria pronto
Nesse tempo a autarca fotografava-se ao lado do concessionário para aparecer na notícia
(Sul Informação)

Porque motivo a senhora Presidente ignorou todas as complicações jurídicas que envolvem a EN125 e que são uma herança do governo do seu partido, fez de conta de que não sabia de nada, sugeriu que uma petição de cidadãos de vários concelhos representava mais de metade dos eleitores de VRSA, gastou o dinheiro dos contribuintes com uma campanha manhosa, promovendo uma guerra quixotesca do PSD VRSA/CM contra o Governo da República, numa manifestação de deslealdade? Agora vem falar e uma «forma cobarde, mentirosa e pouco limpa de fazer política.»

Se há coisa que a oposição nada tem que aprender com o PSD, seja o do Luís Gomes ou o do São/ Romão é limpeza em política, aliás, nem em política, nem no mercado municipal, nem nos ecopontos. O desastre das obras na marginal e no passadiço devia unir todos? Mas para que servem os debates nos órgãos da autarquia? Tanto quanto sabemos a autarca ignorou todas as propostas da oposição, não foi previdente e agora que tem de enfrentar as consequências sacode as responsabilidades e fala de unidade? Em vez de assumir as culpas ainda tenta atirar os cidadãos contra quem legitimamente a força a assumir as responsabilidades.

Um pouco mais de capacidade de previsão, de capacidade para ouvir os outros e de inteligência política não fariam mal nenhum à autarca. Quanto aos seus bons princípios temos uma sugestão, vá ensiná-los aos que lhe são próximos, alguns bem precisam de ser mais bem educados e respeitadores.