THE ISLANTILLA OCTOPUS CONECTION



Pelas empresas que investem em VRSA fica-se com a sensação de que os autarcas da cidade se vestiram de caça-fantasmas quando foram em busca de parceiros empresariais. Depois de termos lido a conversa do vice-presidente da autarquia no seu Facebook, onde parecia deixar nas entrelinhas que era proprietário ou gestor do bar dos Três pauzinhos, tivemos curiosidade e fomos em busca dos verdadeiros donos, já que o boato que corria, de que o bar seria propriedade do Sem Espinhas e do filho de um conhecido hoteleiro local. Não batia a bota com a perdigota, o boato com a conversa do vice-presidente, não passa pela cabeça de nenhum autarca deste país andar por aí a apregoar sonhos realizados e dizer aos amigos no Facebook que quanto aos donos dos negócios só se pode dizer em privado.

Era importante perceber qual tinha sido a empresa a convencer os responsáveis da Agência do Ambiente a autorizar um bar no meio das dunas, algo impensável nos tempos que correm. Para que a autarquia tivesse aprovado um projeto que o seu vice-presidente assumia no seu Instagram pessoal como um sonho e este passasse pelo crivo exigente das autoridades do ambiente, só poderia ser alguém com poderes milagrosos, um daqueles nomes que nos leva a ajoelhar-nos ainda antes de começarmos a rezar o terço.

Em Portugal as empresas têm rosto, sabe-se de quem são, este país ainda não é um bloco de apartamentos do Panamá onde se instalem empresas em caixas de correio. Fomos em busca de mais um empresário oculto, algo que o nosso estimado Vice-Presidente só diz aos amigos mais íntimos e encontrámos, os donos do bar que está sendo construído no meio das dunas da Praia dos Três Pauzinhos não pertence aos fantamas dos guardas-fiscais do posto da Guarda Fiscal que deu o nome ao local e onde muitos vila-realenses foram em passeios da escola primária organizados pelo Professor Caldeira, com direito a comer uns bolinhos de padaria salpicados com açúcar, de que ainda temos saudades.




Como de costume em Vila Real de Santo António, os grandes investidores são empresas que ninguém conhece, com sedes em residências domésticas, sem grande capital, sem história empresarial e sem nada em seu abono.Parece ser este o perfil desta nova vaga de empresários com que o Luís Gomes e a São sonharam um futuro glorioso, homens como Parodi, Ramirez, Rita e Tenório, deram lugar a empresários com uma mão e outra atrás, sem nome, sem rosto e sem dinheiro.

Os donos do famoso bar é uma empresa localizada do outro lado do Guadiana, em Isla Antilla:
FIRMA: FOOG CULTURE, S.L. - SUCURSAL EM PORTUGAL
NIPC: 980582792
NATUREZA JURÍDICA: REPRESENTAÇÃO PERMANENTE
LOCAL DA REPRESENTAÇÃO: Travessa do Tribunal, Lote 14, r/c H Distrito: Faro Concelho: Vila Real de Santo António Freguesia: Vila Real de Santo António
8900 - 209 Vila Real de Santo António
Objecto: Actividades de hotelaria e restauração, organização de eventos, implementação de acções publicitárias, representação artistica e edição musical, compra e venda de bens imobiliários Capital afecto : 3.600,00 Euros
É uma empresa com muitas vocações e no  meio dos pratos de caracóis e de estupeta de atum ainda faz edição musical (será de música reggaeton?).


Terrazas de Islantilla, quem será o dono da "offshores" do mar das Antilhas?

Mas há algo de estranho nisto, um investimento ainda que de reduzidas dimensões como o do bar das dunas dos Três Pauzinhos leva o seu tempo a ser implementado, são necessárias muitas licenças e todos sabemos como são demoradas. Até houve um presidente do INCF que em tempos foi constituído arguido só porque era célere a aprovar os projetos. Em Portugal dirigente competente que se preze arrasta as licenças, assim dá um ar de grande seriedade e rigor. Tanto quanto se sabe, nem a autarquia nem a Agência Portuguesa do Ambiente receberam prémios pela celeridade.

Ora, se o representante fiscal, o Dr. Nuno Vasques, só foi registrado enquanto tal, em 19 de Maio de 2017 há certamente mais nomes nacionais envolvidos no negócios, a não ser que as autoridades portuguesas tenham aceite pedidos de uma empresa fantasma de Islantilla, o que não parece ser muito credível. Surge a dúvida, foi Foog Culture SL que assegurou toda a tramitação do negócio até Maio de 2017 e como a partir do momento em que foi necessário pagar pela prestação de serviços em Portugal e, em consequência, ter um NIF para as faturas surge o representante fiscal, ou houve outras empresas envolvidas neste negócio?

(Imagem de Aníbal Martins Martins)



Subsistem muitas dúvidas num negócio que devido à localização absurda do bar nasceu sob o signo da dúvida. Quem assegurou a tramitação do licenciamento, quem deu a cara perante a Agência do Ambiente, quem são os verdadeiros donos da Foog Culture SL. Há muito para perceber, da mesma forma que iremos estar atentos ao negócio, esperemos, por exemplo, que quando o visitarmos cumpram com todas as obrigações legais.