OS NOVOS ESCRAVOS DE "DEMOCRATAS" MANHOSOS




Consulto a base de dados das contratações da autarquia (CM e SGU) e reparo que a SGRU comprou “serviços administrativos” pela quantia de 37.625,00€. Como não sei o que é comprar serviços administrativos foi visitar o contrato. Trata-se de um contrato de prestação de serviços, válido por três anos, com um prazo de execução de 1095 dias. Lendo melhor o contrato percebe-se que não é mais do que a contratação de um trabalhador que será pago mediante recibos verdes. O contrato é anual e renovável por duas vezes, bastando uma carta com trinta dias de antecedência para que uma das partes rescinda o contrato.

Uma funcionária administrativa a trabalhar nestas condições não é nem uma empresária em nome individual porque enquanto empresa não existe, nem é uma trabalhadora pois não tem direito a invocar qualquer legislação laboral, em suma, é uma escrava da empresa, por outras palavras, é uma escrava da São e, por via da autarca, uma escrava do partido que governa a autarquia.

Esta funionária não tem direitos laborais, não tem direito a inscrever-se na ADSE e pelo que ganha nunca terá um seguro de saúde, não pode invocar o direito a férias ou a horário de trabalho e se levantar a voz, se ir ao comício de um partido da oposição, se for apanhada a tomar um café com um vereador de um partido da oposição já sabe que trinta dias depois recebe um chuto no rabo sob a forma de uma carta.

Quando uma autarquia nega aos que lá trabalham o elementar estatuto de trabalhador não está a gerir de forma empresarias os recursos de que dispõe, está a destruir a estrutura social de um concelho, está eliminando direitos laborais, através da chantagem e do medo está eliminando a democracia.

Um contrato deste tipo é bem mais grave do que a precariedade que implica. Isto é bem que ser trabalhador precário, é um ser humano precário em todos os sentidos, sujeito a todos os abusos e chantagens, ou aceita tudo ou sabe que o seu emprego acaba dentro de trinta dias. Ou é dócil com o chefe, ou promete votar no partido do chefe, ou evita aparecer ao lado de adversários da chefe, ou faz todas as vontadinhas ao chefe ou deixa de ter meios de subsistência daí a trinta dias.


Esta é uma forma de caciquismo quase medieval, nem mesmo o Salazar imaginou ir tão longe, uma verdadeira miséria humana.