A RESSACA



 Excêntros do jackpot de 200ME do Euromilhões de VRSA


Ao lermos os boletins da autarquia ficamos com a sensação de que o Luís Gomes, o Carlos Barros e a Conceição Cabritas eram (e alguns continuam a ser) autarcas de um concelho que por lhe ter saído o Euromilhões se tornou no primeiro concelho excêntrico do país, Se considerarmos os sucessivos orçamentos mais a dívida acumulada estamos mesmo perante um enorme jackpot de um euromilhões autárquico.

Em VRSA não se sentiu nem a crise financeira do Lheman Brothers nem a crise da dívidas soberanas europeias, neste concelho vivia-se na fartura, assinavam-se protocolos, inauguravam-se realizações, anunciavam-se novas obras. A fartura era tanta que quase havia um serviço local de saúde com tanto dinheiro que permitia mandar todos os doentes do concelho ao outro lado do Atlântico.

Mesmo quando a autarquia foi entregue a Conceição cabrita a fartura prosseguiu, anunciam-se obras de 250.000€ para viabilizar um bar na Praia dos Três Pauzinhos, entre as eleições de Setembro e o fim o ano passado, num trimestres, fazem-se adjudicações diretas ao advogado morais Sarmento na ordem dos quase 400.000€. Nos primeiros nove meses de 2018 e apesar de saber que estava com a corda ao pescoço a autarca prosseguiu com o discurso da fartura.

Agora, de um momento para o outro, o concelho faz lembrar um pobre a quem saiu a lotaria e que depois de esbanjar o prémio ficou ainda mais pobre do que estava. Oxalá assim fosse, na verdade o concelho vai ficar mais pobre do que estava mas como não lhe saíu qualquer prémio ainda vai ficar com uma dívida brutal. Se os autarcas que foram responsáveis tivessem o sentido da dignidade pediriam a demissão.

O pior ainda está para vir mas já se adivinha o que aí vem, fala-se no encerramento de serviços públicos, as grandes obras do passado não vão passar de edifícios vazios e de piscinas sem água. Nas redes sociais já se fala de prisões, todos sabem que o Morais Sarmento não se cansa de visitar o concelho e apesar do silêncio todos sabem porquê. O sonho está a desfazer-se e a realidade a impor-se, se não fossem os três mosqueteiros idiotas das redes sociais e um ou outro funcionário graxista já seria difícil encontrar alguém a apoiar estes autarcas nas redes sociais.

O outono começou e o inverno vem aí, só que para Vila Real de Santo António será um longo inverno de trinta anos. Depois de mais de uma década de irresponsabilidade e abusos a realidade chegou.

QUEM É O PRÓXIMO CONVIDADO?


Se o Castelo Brando não estava disponível vinha a Rita pereira, se esta estava no bronze convidava-se o Tony Carreira. Se não era Ano Novo festejava-se o Carnaval, se não era dia santo nem Natal comemora-se o Dia Internacional da Mulher, mas se o dia é só um em VRSA tinham de ser três, como se fosse Carnaval.

Agora estamos tramados, em vez do Tony levamos com o DJ J, com o duo Reflex e se eles não estiverem zangados talvez tenhamos a sorte de rever o Lores. São tempos de penúria aquele a que  VRSA estará condenada por pelo menos três décadas, agora se alguém se quiser divertir só lhe resta ler as baboseiras que os idiotas do regime vão escrevendo por aí.

E DESENVOLVEU-SE MUITO?



Ver revistas antigas é um exercício curioso, comparar as antigas modas com as de hoje, a forma de pensar de outros tempos ou rever caras quando eram jovens. Mas rever os boletins da CM de VRSA do Luís Gomes, carlos Barros e Conceição cabrita é como se estivéssemos a rever uma literatura de ficção de cordel. Aos responsáveis da autarquia não bastava esbanjar dinheiro em obras e idas a Cuba, multiplicavam-se os projetos.

E quando não sabia o que fazer assinavam protocolos:

«Protocolo de Cooperação para o desenvolvimento económico do Concelho

No dia 18 de Julho, o espaço Monte Rei Golf & Country Club, foi o local escolhido para a cerimónia de assinatura do Protocolo de Cooperação entre a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, a Associação para o Pólo Tecnológico de Lisboa, – LISPOLIS e a Associação Industrial Portuguesa, Confederação Empresarial, – AIP-CE.

Este protocolo tem como objectivo estabelecer formas de mútua cooperação, que visem contribuir para o desenvolvimento económico do Concelho de Vila Real de Santo António. Na sessão que reuniu cerca de sessenta empresários do concelho, foram ainda apresentados os projectos de desenvolvimento económico que a autarquia está a desenvolver para o concelho.»

apetece fazer uma pergunta: e eo concelho desenvolveu-se muito?

A HERANÇA

Não deixa de ser irónico de que uma equipa autárquica que tudo faz para se demarcar da equipa anterior que, em boa verdade, era quase a mesma equipa da mesma facção do mesmo partido, acabe por viver do que herdou do anterior executivo e dos seus grandiosos projectos megalómanos. E de uma autarquia falida e arruinada e sufocada por uma dívida colossal, dirigida pelo interlocutor do FAM e pelo camarada de Borba sobra dois projectos, dois pequenos hotéis, o Hotel Guadiana e a pousada do Grupo Pestana.

Não sabemos muito bem se é esta a “herança envenenada” que alguns rejeitam, mas se em relação ao Hotel Guadiana subsistem muitas interrogações, já em relação ao investimento do Grupo Pestana podemos dizer que se trata de um protejo muito interessante. É a primeira vez, depois de 13 anos de liderança da autarquia por esta gente que aparece um grupo empresarial digno de nome.

É uma empresa sólida, com capacidade financeira, que sabe o que faz no mercado turístico, nada semelhante ás empresas com sede na Isla Antilla ou noutras paragens e cujos bares são apoiados com investimentos de pelo menos um quarto de milhão. É por isso que é bom para Vila Real de Santo António que uma empresa credível aposte no concelho.

Outra questão será saber como é que a pousada vai conviver com o ruído dos espectáculos na Praça Marquês de pombal, com as dificuldades de estacionamento, com a distância de VRSA em relação aos grandes centros e aos aeroportos e com uma época baixa prolongada. Mas estando em causa uma empresa com a experiência do Grupo Pestana conforta-nos a ideia de que tudo estará pensado e que este projecto tem futuro.

É pena que a sua dimensão tenha um impacto reduzido no concelho, ainda que bem maior do que o do Hotel Guadiana que conta com menos de metade das camas previstas para esta pousada. É bom para VRSA, mas é um pequeno empreendimento que acaba por ser um dos poucos símbolos positivos da longa passagem do Eng. Luís Gomes à frente dos destinos da autarquia. 

Mas se aqui muito se critica o homem, também é justa esta referência. Esperemos que a Pousada tenha sucesso e que represente o início de um ciclo de turismo de qualidade, ainda que a esperança não seja muita pois uma andorinha não faz a primavera. Mas não vale a pena exagerar nos elogios, uma pequena pousada não é propriamente um grande feito e tanto quanto se sabe é obra do Grupo Pestana. Se isto fosse motivo para uma estátua do autarca haveriam mais estátuas no país do que os pinheiros do Pinhal de Leiria antes dos incêndios do ano passado.

ALGUÉM VIU?




« VRSA recebe maior Unidade de Cuidados Continuados do Algarve
Com 200 camas para Internamentos de Longa Duração e Manutenção

Vila Real de Santo António irá receber a maior Unidade de Cuidados Continuados do Algarve, com a construção, em 2009, de uma Unidade de Internamentos de Longa Duração e Manutenção (UILDM) no Concelho. A UILDM de Vila Real de Santo António irá contar com aproximadamente 200 camas e criará cerca de 90 postos de trabalho directos, com uma elevada percentagem de profissionais técnicos especializados. Esta Unidade tem como objectivo acolher doentes que já não necessitam de interna mento hospitalar, mas que não têm condições para regressar às suas casas. Para Luís Gomes, presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, “na atenção que temos dedicado às pessoas, particularmente as mais debilitadas e carenciadas, esta infra-estrutura representa mais uma melhoria dos cuidados de saúde prestados aos nossos munícipes e é para nós um orgulho pela sua dimensão”.» 

Boletim Municipal n.º 8, maio 2009

QUANDO OS MILAGRES SE REPETEM



Há quem diga que quem não sabe o que fazer faz colheres de pau, um dito popular que em Vila Real de Santo António poderia ser dito de outra forma, quem nada faz volta a fazer as mesmas colheres de pau.

Em 2010 o boletim municipal da autarquia dirigida por Luís Gomes, Carlos Barros, Conceição Cabrita e outros fazia constar no seu boletim municipal que "As praias de Santo António (Vila Real de Santo António), Monte Gordo, Lota e Manta Rota, receberam não só a distinção de praia com bandeira azul, assim como de praias acessíveis a todos os cidadãos com mobilidade reduzida." Quanto às bandeiras azuis não eram novidade, em relação às cadeiras não foram um grande investimento, mas foi uma iniciativa meritória, como o são todas as iniciativas que tornem mais igual a vida dos cidadãos portadores de deficiência.




Só que a memória dos homens parece ser curta e em 2018 alguém se lembrou de fazer imagem a custa dos cidadãos portadores de deficiência, a nossa autarquia lembrou-se de promover a sua imagem e nada como voltar a ajudar os cidadãos informando que "Todas as praias concessionadas e vigiadas do concelho de Vila Real de Santo António voltam, em 2018, a ser acessíveis a pessoas com mobilidade condicionada.".


É um bom exemplo de como se faz propaganda em Vila Real de Santo António. Agora esperamos que anunciem que em 2018 VRSA continua a contar com a marina ou que neste mesmo ano a Praça Marquês de Pombal continua a ter pedra de calçada.

Esta é uma velha técnica de propaganda, usar a mesma obra para produzir sucessivas mensagens, passando a ideia de que se fez muita coisa. Agora está sucedendo o mesmo com a pousada do Grupo Pestana, um projecto privado que é anunciado sucessivas vezes. Há poucos dias era notícia que um administrador do grupo anunciara o inicio das obras, agora é a própria câmara que informa que a obra vai ser iniciada adiantando pormenores sobre o número de trabalhadores. daqui a algum tempo informa-se que a obra iniciou, depois que vai a meio, a seguir que está quase concluída, de seguida informa-se a data da inauguração, depois que vai ser inaugurada, que está quase a ser inaugurada e finalmente que foi inaugurada. No fim parece que foram construídas vinte pousadas e foram todas obra da autarquia.

GASTRONOMIA, UM PATRIMÓNIO CULTURAL E ECONÓMICO VALIOSO




Todas as regiões têm a sua forma de cozinhar, resultado de culturas, tradições e recursos. Nesse capítulo o concelho de Vila Real de Santo António é um dos mais ricos do país, referimo-nos ao concelho porque se a sua sede tem uma imensa riqueza gastronómica, esta é ampliada pela diversidade que lhe é trazida pelas restantes freguesias e, em particular, pela sua área serrana.

Não é por acaso que o concelho é rico em património gastronómico, resultou de um imenso caldo de culturas, de uma mistura de tradições que muito provavelmente são anteriores à sua fundação, já que no passado a antigo Monte Gordo e Santo António de Arenilha já eram duas localidades caracterizadas por uma mistura de povos.

Apesar desta imensa riqueza tal nunca foi devidamente vertido nos seus restaurantes, ainda que ao longo da nossa história recente tenhamos tido algumas casas que fizeram história e que hoje ainda são recordados por muitos que visitaram Vila Real de Santo António, com destaque para o Joaquim Gomes. Mas não poderemos ignorar as nossas “vendas” a espinheta de atum que era servida no Zé Russo, as favas com chouriço da 'Porta Larga', os mormos de atum no forno ou o cozido que era servido aos domingos nas antigas 'Caves do Guadiana', o bife de atum do 'Pisa Canitos', hoje com nome modernizado mas com um choco frito que merece a visita.

Do carapau alimado às favas com chouriço, dos choquinhos com tinta à espinheta de atum em tomate, o concelho deu uma grande variedade de pratos típicos à gastronomia nacional, que infelizmente tem-se vindo a perder, muito por força do lucro fácil gerado pelo fast food, que ou se substitui à nossa cultura gastronómica e a elimina ou a altera para engano dos turistas.

Num pequeno concelho esta grande gastronomia merecia ser melhor tratada, melhor divulgada e dignificada com iniciativas de dimensão cultural. Isso já sucedeu no passado em relação ao atum, tendo ficado na memória algumas iniciativas promovidas no quadro da criação da Confraria do Atum. Mas a nossa cultura gastronómica merece hoje um impulso coletivo e abertos a todos os sabores e formas de pensar, transformando-a num produto de luxo capaz de atrair um turismo que quer mais do que a refeição barata servida no Pingo Doce.

Temos um património gastronómico valioso não só numa perspetiva cultural, mas também económica. Merece ser bem tratado e divulgado de forma aberta e com inteligência e competência. Este é um ponto onde as autarquias têm um papel importante, desde que sirvam a cultura e a economia local em vez de se servirem dela, reduzindo os nossos pratos a armas de arremesso político.

CRIAR A ZONA PROTEGIDA DAS DUNAS E PINHAL DE VRSA



O estado de abandono e degradação do pinhal e dunas do concelho de Vila Real de Santo António, uma faixa que vai da Ponta da Areia às Casas da Audiência estão num tal estado de degradação que urge uma intervenção urgente e adoção de medidas de proteção, sob pena de um dia nada restar ou de um incêndio queimar aquela imensa pilha de madeira abandonada, o que muito boa gente desejaria que sucedesse.

A mata está muito ressequida, com mais clareiras, cada vez mais ocupada por espécies invasoras como acácias e as piteiras, com a biodiversidade a diminuir a olhos vistos. Aquele que era um património ambiental de grande importância e que podia ser valorizado como enquadramento de projetos turísticos de qualidade, tem estado ao Deus dará, sendo cobiçado por muitos interesses, ao ponto do Luís Gomes e da sua vice terem esboçado uma tentativa ridícula de apropriação, recorrendo ao truque do usucapião

É ridículo que se tenha gasto uma fortuna com um passadiço desnecessário, que vai criar uma zona de dunas tendo como linha do horizonte uma espécie de linha de pombais tapando totalmente a vista do mar, substituindo as luzes dos barcos pelas lâmpadas com energia da EDP, não se gastando um tostão num pinhal abandonado e que agoniza e uma linha de dunas cada vez mais destruída, à beira das quais são colocados os caixotes do lixo.

Eliminados os terrenos agrícolas da Hortas , destruída a zona de areal limítrofe ao sapal, resta ao concelho ao terrenos agrícolas de Cacela e a mata. Como os terrenos de Cacela, assim como os poucos que resta das Hortas, são privados, a gulodice vira-se para  a mata, o grande tesouro que muitos gostariam de jogar mão. A forma de o conseguir é destruindo-o aos poucos pelo abandono, até que alguém lhe dê o golpe de misericórdia ateando-lhe fogo.

É urgente que esta mata e a zona de dunas sejam consideradas zonas de reserva ambiental, pondo um fim definitivo a quaisquer gulodices imobiliárias. Num concelho falido e arruinado não faltarão os que sugiram que a salvação e solução para mais um ciclo de dinheiro mal gasto está na mata, na sua apropriação pelo concelho para posterior venda ao setor do imobiliário. Um dia destes deixaremos aos descendentes apenas dívidas e pedras da calçada, e estas são na maior parte propriedade da ESSE.

É urgente que o Estado invista na recuperação da mata reflorestando e eliminando os espécimes das espécies invasoras, designadamente as piteiras e as acácia, bem como na proteção das dunas, delimitando e vedando uma área de proteção junto à praia e promovendo informação de sensibilização para a necessidade de as proteger.


Aditamento:

Esclarece-nos o Bruno JCC que a nossa "Mata" é uma mata nacional, remetendo-nos para as páginas do Instituto Nacional de Conservação da Natureza e Florestas relativa às zonas protegidas e às matas nacionais.  São situações com níveis de proteção diferentes como se deduz da explicação do INCNF.

Preferiríamos um nível de proteção maior e, mais ainda do que isso, a recuperação das matas e a proteção das dunas, já que a mata está ao abandono e em processo de degradação acelerado. Além disso, note-se no pormenor da informação relativa à "Mata Nacional das Duas de Monte Gordo" constante na página do INCNF, refere apenas 10 ha e o mapa da descrição está, no mínimo, desactualizado.

VENDER BEM O CONCELHO



Quando o comércio com os nossos vizinhos explodiu, muito graças à abertura das fronteiras que se seguiu ao 25 de Abril, multiplicaram-se as casas de atoalhados e outros produtos procurados pelos nossos vizinhos. A tendência foi para vender produtos baratos e de baixa qualidade apenas duas casas se mantiveram num perfil superior, a Marice e a Caravela.

No caso particular da Caravela houve uma aposta de produtos da mais alta qualidade, ali podiam ser adquiridos serviços de porcelana da Vista Alegre ou os cristais da Atlantis, era mesmo possível encontrar peças de porcelana, como as aves, que ainda hoje é difícil de encontrar à venda fora das lojas da marca. Não admira que passados muitos anos a maioria das outras casas não sobreviveram.
A Casa Caravela é o melhor exemplo que acabou por se transformar num grupo dinâmico e competitivo num mercado que tende a ser global e onde enfrenta a concorrência de multinacionais.

Quanto mais baixo for o perfil de um produto mais baixo será o valor acrescentado, poderá ganhar-se dinheiro fácil mas a médio e longo prazo ou se evolui para produtos com  maior valor acrescentado ou o mais provável será ver as empresas morrerem sem serem capazes de se renovar. Já tínhamos visto isso em muitos setores e voltámos a ver com o negócio fronteiriço. O negócio fácil pode criar a ilusão do lucro fácil, mas é o que gera menos riqueza, o que menos qualifica os seus colaboradores e o que torna menos competitivas as empresas.

Quando se vende mais valor acrescentado , o que se consegue com bens ou serviços com maior nível de sofisticação, com maior complexidade e produzidos com maiores exigências de qualificação e de tecnologias entra-se num mercado mais restrito, com menos concorrência, com bens e serviços mais personalizados. Neste mercado a concorrer-se com empresas mais sérias, as margens são superiores, a confiança do sistema financeiro é maior e a capacidade de investimento aumenta.

Isto tanto é verdade para os atoalhadados, como o é para as conservas, as refeições, os hotéis ou qualquer outro ramo de negócio. Quando um concelho vende barato os seus recursos naturais sob a forma de uma oferta turística barata e de baixa qualidade, fica mais exposta às crises, consegue menos lucros, cria menos empregos de qualidade e gera menos riqueza para distribuir.

 É preciso repensar o modelo de desenvolvimento de Vila Real de Santo António e, em particular, a forma como se cria oferta turística, sob pena de um dia ser tarde demais para corrigir os muitos erros do passado.

AS CADEIRAS DE RODAS





Estávamos em plena campanha e o agora vice-presidente da autarquia não cabia em si de contente, não resistindo a colocar a boa-nova na sua página do Facebook, partilhando o post no Facebook de campanha da São. Dizia ele

“Compromissos respeitados sempre
Ontem nos foi solicitado uma cadeira de rodas e hoje como prometido foi entregue”

Para que não restassem dúvida lá aparecia a senhora que precisava da cadeira, a dita cadeira e um então candidato a vereador fazendo uma cara que considerava apropriada para a fotografia da ocasião.

O post do nosso sonhador com bares nas dunas não esclarece quem pagou a cadeira, se foi a autarquia ou se foi a campanha. Se foi a autarquia teremos que concordar que é melhor oferecer cadeiras de rodas do que frigoríficos e máquinas de lavar como fazia o Major Valentim Loureiro. Mas, o Major abria os cordões à bolsa e oferecia muitos electrodomésticos, neste caso alguém teve a brilante ideia de se aproveitar eleitoralmente de uma cidadã que estava numa situação de carência para dar um golpe eleitoral.

Se fosse gente de classe teriam oferecido a cadeira sem o oportunismo de tirar proveito das necessidades alheias, até porque depois de muitos milhões gastos com um SNS caro e paralelo é de estranhar que tivessem de chegar às eleições. Até permite desconfiar que sabiam ao que iam e o golpe da cadeira estava montado.

Mas se foi a autarquia a pagar a cadeira então estamos perante algo bem mais grave. Como todos estes documentos relativos a esta aquisição estão obrigatoriamente arquivados, sejam nos documentos de campanha, nos arquivos da autarquia ou na contabilidade do vendedor, desafiamos a autarca a exibir uma fatura em nome do PSD.

E já que o tema são cadeiras de rodas lembramo-nos de a (por enquanto) presidente da autarquia ter respondido positivamente ao repto de um cidadão deficiente lhe lançou, desafiando-a para procurar um lugar de estacionamento em Monte Gordo e depois ir em cadeira de rodas até à praia.

Apesar da aceitação pronta do desafio a verdade é que a autarca não cumpriu com a palavra. Questionada numa reunião do executivo respondeu que iria cumprir com a promessa mas que não seria quem a desafiou a escolher o momento, todavia, ainda não o fez. Deve estar à espera que nalguma campanha eleitoral uma qualquer São lhe ofereça uma cadeira de rodas eléctrica, assim não precisa de estacionamento e vai de VRSA a Monte Gordo, só esperamos que não tenha de comer barriga de atum salgada nalgum restaurante famoso do passadiço. Porque de tensão na CM já basta, não precisamos de um pico de tensão arterial da presidente.