NÃO SENTIRÃO VERGONHA?

Enquanto em VRSA se cortam apoios sociais, se retiram alcavalas aos funcionários da autarquia, se vendem bairros sociais para salvar o mandato da presidente, anda-se por Miami com as fãs exibindo a riqueza ao estilo dos novos ricos e colocam-se as imagens no Facebook para criar água na boca dos admiradores.

Em vez de argumentarem, de apresentarem justificações, de justificarem as decisões, de demonstrarem que a razão está do seu lado, anda a lamuriar-se no Facebook sugerindo maledicência, mentira ou deturpação dos fatos. Quis o destino que o façam enquanto viajam, numa altura em que a autarquia só financia os transportes de passeios a pé.

Os que usam de forma pouco digna o perfis de Facebook de terceiros para escreverem ameaças e ofensas a quem lhes apetece, queixam-se do uso do anonimato para expressar opiniões e posições políticas sem quaisquer ofensas e insultos, ainda que depois de mais de duas décadas e poder absoluto já confunda qualquer crítica com insulto.

Os que pertencem a um partido que já não existe, cujo líder local defende que o melhor é o silêncio e prefere ir cantarolar para o outro lado do oceano, tentam atacar os partidos que ousem incomodá-los com críticas e insinuações ridículas.

É preciso não terem vergonha nenhuma na cara para tentarem fazer passar a ideia de que são gente competente e com superioridade moral, quando o concelho se desmorona, correndo um sério risco de se desintegrar. É preciso não terem vergonha para pensarem que é mais importante o estatuto de um clã familiar do que o futuro de um concelho e a estabilidade dos que nele residem.

DÚVIDAS SOBRE A VENDA DOS BAIRROS SOCIAIS


A venda de bairros sociais inteiros não é uma mera alienação de património, é um negócio de grandes proporções e com consequências sociais graves, pelo que se justifica que sejam colocadas algumas questões:
  1. Tendo o negócio sido decidido pela presidente da autarquia, sem qualquer pressão por parte de entidades externas e muito antes de o relatório do FAM ter sido elaborado o que levou a autarca a decidir-se pela venda da totalidade dos bairros sociais sem ouvir ninguém?
  2. Se o despacho de venda é de abril passado o que levou a autarca a esperar sete meses para lhe dar continuidade.
  3. Quem procedeu à avaliação dos fogos em venda? Em que momento se procedeu à avaliação? A avaliação teve em consideração o estado de cada prédio e de cada fogo em venda ou foi feita em termos globais, ignorando o estado de degradação de cada prédio ou de cada fogo?
  4. Quais as garantias por parte da autarquia em relação a reparações que venham a ser necessárias e que já o eram no momento da venda?
  5. Qual o destino da receita das vendas, destina-se a pagar a dívida, a suportar despesas correntes como ajudas de custos e horas extraordinárias ou ainda avenças de boys ou a financiar as ações da Mão Amiga?
  6. Qual a base legal que permite à autarca decidir por um mero despacho e sem ouvir ninguém vender uma parte substância do património da autarquia?
  7. Qual a justificação dada pela autarca para esta decisão, tentando vender as casas a quem supostamente não tem recursos para comprar ou arrendar uma casa?


A VENDA DOS BAIRROS SOCIAIS




Sem qualquer comunicação pública, sem qualquer explicação e sem qualquer informação ao executivo municipal ou à sua Assembleia Municipal, a presidente da autarquia decidiu por sua livre iniciativa vender todos os bairros camarários que ao longo dos anos foram construídos pela autarquia. Não está em causa qualquer opção na gestão dos problemas sociais, não saiu nenhum jackpot do Euromilhões nas famílias de poucos recursos que vivem nesses bairros, nem sequer recebeu qualquer imposição por parte de outras entidades.

Muito simplesmente, quem gastou mais de 400.000€ em menos de três meses com o Dr. Morais Sarmento ficou com a “corda ao pescoço” depois do incumprimento do PAM, ou inventa receitas ou o FAM terá que fazer o que parece ter perdoado (sabe Deus com que base legal), isto é, pedir a dissolução dos órgãos autárquicos e comunicar os abusos a quem de direito, com todas as consequências legais que daí poderão advir.


Só que esta venda não suscita apenas questões de ordem jurídica, diz muito sobre uma equipa que durante mais de dez anos usou o argumento dos apoios sociais e agora tenta ir ao bolso dos pobres para que a carreira política dos Cabritas não termine de forma abrupta e desastrosa. Quando, há alguns meses atrás, a autarquia não exerceu o direito de preferência em relação a um fogo de um bairro social, dando a ganhar dezenas de milhares de euros a terceiros (recorde-se que no negócio estava um banco gerido por alguém do mundo da política local), ninguém poderia adivinhar que a situação financeira já era tão desesperada.

Mas há algo de muito cínico quando uma equipa autárquica tenta preservar o bem-estar que rodeia o exercício de cargos públicos, quando comparado com o proporcionado por carreiras profissionais menos ricas, tentando ir ao bolso daqueles que supostamente são os menos abonados do concelho. Há qualquer coisa de errado quando a autarquia tenta salvar a sua presidente tentando vender a casa a bom preço precisamente aos que receberam a casa por não terem meios para comparar ou arrendar uma em condições normais de mercado.

Quem e quando se avaliou as casas, que garantias são dadas aos que as adquirirem em relação a obras de que devam ser feitas, o que sucederá se vier a concluir-se da não conformidade desta venda com a lei, como vai funcionar o condomínio nos prédios em que só parte dos inquilinos optarem pela compra? São muitas as dúvidas, mas como a presidente costuma usar o site da autarquia, o seu Facebook e o Jornal do Algarve para explicar as suas decisões orientadas pelos seus bons dotes de gestão, estamos certos de que muito em breve tudo será explicado.

NÃO, NÃO FOI O FAM

Não, não foi o FAM que deu ajudas de custo, horas extraordinárias e pagamentos de gasolina em barda.

Não, não foi o FAM que contratou tantos avençados para a CM e para a SGU sem se preocupar se a autarquia podia pagar a tanta gente.

Não, não foi o FAM que transformou a Mão Amiga numa enorme mão cheia de dinheiro para distribuir por “pobres”.

Não, não foi o FAM que gastou milhões em adjudicações diretas a uma advogado vice-presidente do PSD e que ainda no último trimestre de 2017, ano eleitoral e de desgraça financeira, levou cerca de quatrocentos mil euros.

Não, não foi o FAM que andou a contratar a Tempestades Cerebrais para fazer vídeos e videozinhos.

Não, não foi o FAM que sem ter um tostão para mandar cantar um cego andou a fazer campanhas idiotas contra o governo só para disfarçar as suas próprias misérias.

Não, não foi o FAM que com uma autarquia falida e sem crédito insistiu em obras faraónicas.

Ñão, não foi o FAM que encomendou obras a empresas que todos sabiam estar à beira da falência.

Não, não foi o FAM que contratou o senhor do PSD de Faro, agora que ele estava sem “emprego”, depois de dispensado dos cargos onde beneficiara do estatuto de boy.

Não, não foi o FAM que geriu subsídios e compras a órgãos de comunicação social ou a empresários locais para gerir a imagem.

Não, não foi o FAM que organizou excursões à Casa dos Segredos.

Não não foi o FAM que usou os parcos recursos de um dos concelhos mais pequenos do país para financiar com euros frescos o regime dos Castros, pagando a Cuba as cirurgias que podiam ser feitas em Portugal, com melhores tecnologias e menos custos.

Não, não foi o FAM que arruinou Vila Real de Santo António. O FAM veio porque aqueles que arruinaram o concelho já não tinham crédito, estavam atulhados em dívidas e mesmo assim ainda insistiram em continuar a esbanjar os recursos que agora terão de ser os vila-realenses a pagar durante trinta anos.

SURREALISMO VILA-REALENSE



À medida que o concelho se afunda em austeridade, com a autarca a adotar programas de boa gestão da despesa municipal para encobrir as exigências do FAM enquanto aguardamos por mais medidas e pelo orçamento municipal, constatamos no Facebook que há um vila-realense que exibe felicidade, sucesso e fortuna, o seu Facebook é mesmo uma espécie de revista cor-de-rosa do concelho, onde nos deleitamos com a beleza da personagem, ao mesmo tempo que esquecemos as agruras da vida.

Ali não são necessários vales para o supermercado, ajudas da mão generosa, não se recebem cartas a propor a compra de casas de bairros sociais, não se deixa de ganhar ajudas e horas, as contas não ficam por pagar. É um mundo cor de rosa de grandes desafios, fotos cheias de sensualidade com a toalha na cintura enquanto se olha para um lugar entre o infinito e as dez e um quarto. 

Ainda bem que no meio de empresários que receiam o futuro, de trabalhadores da SGU que temem o desemprego, velhotes que não sabem se vão ter centro de dia, no meio do rasto de dificuldades, ruína municipal e incertezas há um vila-realense que espalha o seu charme e sucesso por todo o mundo. Ainda bem que o cortes de 70 nos transportes apenas se aplicam aos que dependem do município, ainda há quem, agora que acabou o verão, vá mais a Miami do que à Praia do Cabeço.

"Preparar para o que vai vir aí ...."
“Tenho a certeza vou conseguir, eu sou capaz”

A expectativa é lançada, os admiradores(as) enervam-se, que grande desafio enfrentará o nosso homem? Onde estará ele? Que laguna é aquela que se vê na imagem?

Tudo fica tranquilizado o desafio era mais uma música, na página com o Baby Lores renova-se a imagem, sinal de que está tudo bem. A seguir vem a imagem do make up. Os fãs estão tranquilos, sucedem-se as declarações de carinho: "guapo felicidades", "A ficar mais belo. Bjnhos", "Parece irmão dos filhos bjs”, "Amigo já és lindo com essa linda maquiagem ficas lindíssimo boa sorte bjs", "A ficar aindaaaaa mais lindooooo.”, “Boa sorte. Bj".

Podemos estar descansado, esqueçam as dificuldades, a ruína do concelho, o fim das viagens para ver a casa dos segredos, as habitações sociais, as dívidas aos fornecedores, o Hotel Guadiana, o Hotel da Muralha, o hotel de 5 estrelas de monte gordo, as 200 camas de cuidados continuados, o fim das cirurgias em cuba. Esqueçam o insucesso do concelho arruinado ou as dificuldades dos que vivem no concelho, há um homem com sucesso, que espalha o nome da terra pelo mundo fora.

Doze anos de autarquia governada sem grande oposição e com poder absoluto, duzentos milhões de euros de dívida mais trezentos milhões de orçamentos correntes (o que dá qualquer coisa como 33.000€ por eleitor), o concelho consegue ter um vila-realense que se pode gabar do seu sucesso, que pode fazer viagens sucessivas a Miami e lá gravar discos com amigos cubanos, posar para que tirem fotos na varanda do quarto do hotel, com as partes cobertas por uma toalha e a vista como fundo, com dezenas de vila-realenses a babarem-se em elogios à beleza. Tudo isto enquanto a autarca vende o que pode e o que não pode para salvar a pele política, enfim, uma cena verdadeiramente surrealista.  

ISTO NÃO VAI LÁ COM MILAGRES

Estilos de liderança populistas alicerçados em recursos adquiridos através de criação de dívidas astronómicas e insustentáveis podem no imediato projectar esses líderes para o ilusório estatuto de quase profetas ou de seres dotados de capacidades sobrenaturais por parecer que tudo aquilo em que tocam é transformado em ouro, tal como com o rei Midas.

Na prática, hoje, infelizmente, sabemos que a prazo não é assim, uma vez que um dia as consequências dessa política desastrosa e irreflectida fazem-se sentir dolorosamente.

Esses mestres ilusionistas constroem e promovem a sua imagem pessoal esgotando recursos que no futuro terão de ser pagos por todos os outros da mais variada forma: aumento de taxas e de impostos, redução drástica da qualidade dos serviços prestados ou, por vezes a sua eliminação, supressão de benefícios, cortes salariais, despedimentos.

Podemos frontalmente dizer que o resultado de políticas populistas que visam projectar e consolidar líderes que provam não possuir perfil para servir a causa e o bem comum, afinal, é dívida, engano e pobreza.

Todavia, quando isso acontece, desses caudilhos irresponsáveis sobressai uma outra característica, a sua capacidade manipuladora que aos olhos de alguns consegue transformá-los em vítimas: eles eram bem-intencionados, queriam ajudar os necessitados, queriam o bem comum mas, a conjuntura, o azar, a oposição, trocaram-lhes a volta.

Depois, constatada a impreparação para a função uma vez que foram incapazes de gerir com saber e prudência os recursos disponíveis, como única estratégia para a resolução dos problemas que eles próprios criaram, renovam as promessas de um mundo maravilhoso que há-de vir e falam em ter fé que tudo se há-de arranjar.

Entretanto, como corolário desta miserável situação em que nos encontramos, para piorar ainda mais o que já estava mal, ao não ser respeitado o receituário do FAM, o último período eleitoral parece ter proporcionado o caldo adequado para castigar ainda mais a população deste concelho, ao ser prolongada a aplicação do PAM a um interminável período de trinta anos.

Convenhamos que é mau de mais! Não merecíamos este castigo!

Alguém falou na necessidade de um milagre, porém, atendendo ao significado da palavra, sendo o milagre algo de sobrenatural, portanto, fenómeno oposto às leis da natureza, não é suposto ele acontecer aqui enquanto instrumento disponibilizado por alguma entidade superior a alguém escolhido para num ápice resolver os problemas do nosso concelho.

A gravíssima situação financeira do município de Vila Real de Santo António resolver-se-á com pessoas competentes, conhecimentos e experiência para o fazer, com pessoas dotadas de bom senso, com pessoas prudentes, com pessoas responsáveis e, acima de tudo, que ponham os interesses colectivos acima de vaidades e agendas pessoais.

Tudo aquilo que até agora não tem havido, razão pela qual se vivem os tempos conturbados que nos afligem e tanto lamentamos!

O SILÊNCIO DOS RESPONSÁVEIS


Ao repararmos que o deputado Carlos barros escreveu um artigo sobre o OE no Sul Informação fomos levados a perceber, é habitual que os deputados algarvios escolham esta oportunidade para dizerem que estão vivos e muito preocupados com a vida dos que os elegeram. Mas, é inevitável que  nos interroguemos sobre a razão que leva a que o deputado esteja tão preocupado com o Algarve e o presidente da AM de VRSA e que ao longo de uma década foi uma das caras da gestão autárquica do concelho  nada diga sobre o que se passa na nossa terra.

Como é possível que um concelho se afunde na ruína económica e nenhum responsável autárquico venha a público da uma explicação, uma palavra de esperança, uma qualquer opinião sobre o que se passa? Quando as oposições exigiram uma auditoria às contas o PSD ainda se indignou com tanta ousadia, mas desde então fez-se um silêncio total. Enquanto o concelho é asfixiado em austeridade o presidente do PSD local ostenta um grande desafogo financeiro, com viagens sucessivas por Miami, onde agora roda mais um video clip e faz votos renovados de amizade com o Baby Lores.

Enquanto o concelho se afunda em dívidas, enquanto muitos apoios sociais são cortados, enquanto muitos receiam o desemprego, o presidente da AM escreve sobre o OE, o presidente do PSD local grava um video clip com os seus amigos cubanos de Miami e a presidente da autarquia fica em silêncio. 

O mínimo que esperava era coragem política, era ver o presidente do PSD local a dar a cara pelos três mandatos de presidência da autarquia, o presidente da AM a escrever sobe a situação financeira do concelho com o mesmo ardor com que escreve sobre o OE e a presidente da autarquia a explicar aos munícipes como é que vai reduzir a dívida e administrara autarquia sem dinheiro.

RECESSÃO


É comum falar de recessão em termos internacionais ou locais e a teoria económica dedica-se ao estudo destas crises, bem como às políticas adequadas às usa superação. Todavia, pouco ou nada se fala em relação às recessões de dimensão regional ou local, como se fossem fenómenos económicos de menor importância. Ainda que as causas não sejam as mesmas não é raro algumas regiões atravessarem situação de depressão, algo que foi visível em regiões como o Vale do Ave ou Setúbal.

Independentemente da dimensão as causas são muitas e diferentes das que geram as crises de dimensão nacional. Todavia, costumam merecer a intervenção dos governos e apelam a um papel ativo por parte das autarquias. Tanto em Setúbal como no Vale do Ave a causa das crises regionais resultaram da decadência de modelos industriais ue não resistiram ao processo de globalização. Graças aos governos e às autarquias as crises foram superadas.

No caso de Vila Real de Santo António estamos perante uma crise profunda, sem que possamos encontrar as causas na economia local, a grande causa da recessão local resulta da irresponsabilidade com que a autarquia foi gerida durante mais de uma década, o exagero levou a que seja a ruína da autarquia arrastar a depressão da economia local. A perda de rendimento, o aumento das taxas, a falta de qualidade de serviços públicos como a limpeza, estão destruindo VRSA. Um concelho que nos passado era o mais dinâmico da região, incluindo a região fronteiriça de Espanha, entrou em decadência e nem sequer em relação a Castro Marim é competitivo.

Em VRSA é o poder central, através do FAM, que impõe um mínimo de competência na gestão da autarquia, isto é em vez de ajudar com soluções o poder central ajuda impedindo mais incompetência e irresponsabilidade. Enquanto as outras autarquias acorrem aos cidadãos em situações de crise, em VRSA é a autarquia que provoca a crise, que retira os apoios sociais e ainda tenta vender os bairros sociais para salvar a pela da presidente da autarquia,

A recessão em que Vila Real de Santo António é um absurdo económico e político, a economia local que nada lucrou com o esbanjamento dos recursos paga agora as taxas que lhe retiram competitividade para que os que que sõ responsáveis pela crise possa salvar o seu poder pessoal. O concelho vive voando sobre um ninho de cucos e enquanto se afunda o ex- autarca publica imagens do seu último Make Up e a atual presidente apresenta programas de austeridade como produto da sua grande competência como gestora.

O FIM DA GALINHA DOS OVOS DE OURO?


Por aquilo que se vai ouvindo parece que  aumento descontrolado da dívida do município vai acabar por matar a galinha dos ovos de ouro, depois de cortar em tudo o que podia ser cortado é inevitável que os cortes cheguem onde sempre chegam numa instituição ou empresa em dificuldades, aos custos dos recursos humanos.

Avenças, horas extraordinárias e ajudas de custos são os custos mais fáceis de reduzir na hora de apertar o cnto e isso significa o fim de muitos rendimentos gerados por uma autarquia gerida na base do aumento da dívida. Resta saber agora até onde irão os cortes, já que com o investimento e a manutenção reduzidos a zero, a salvação do executivo camarário passa necessariamente por poupar em rendimentos salariais.

Já se ouvem queixas em relação a horas extraordinárias um sinal de que as dificuldades financeiras estão chegando ao bolso e aos rendimentos de muitas famílias do concelho. A ilusão de fartura criada peal dívida está a chegar ao fim e depois de muitos cortes que resultaram na degradação da qualidade de vida no concelho poderemos vir a assistir a uma redução do rendimento disponível de muitas famílias.

A confirmar-se isto no próximo orçamento da autarquia isso significa que ao efeito da sanzonalidade da atividade económica junta-se a redução do rendimento de muitas famílias, agravando o efeito depressivo. Daqui pode resultar o agravar da recessão na economia local, com todas as consequências que poderão resultar para a economia do concelho.

HÁ MAIS LIXO PARA ALÉM DO LIXO


A recolha do lixo é uma função básica das autarquias, a higiene pública é fundamental para proteger a saúde e qualidade de vida das populações. Independentemente das tecnologias e recursos usados Vila Real de Santo António foi ao longo de décadas um concelho modelo neste capítulo e elogiada por quem nos visitava. Agora que o dinheiro jorrava com fartura e que alguém inventou uma privatização modernizadora, foi o que se viu.

Ao mesmo tempo que se gastavam milhões num passadiço descurou-se a higiene pública e deu-se do concelho a imagem de uma terra suja, com lixo por todos os lados, onde as ruas estão cheias de baratas e com ratos a deambularem em volta dos contentores de lixo. Esta é uma imagem assassina para a imagem de uma zona turística. Mas em vez de combater o lixo apostaram em combater a oposição.

A forma como a autarquia lidou com as suas responsabilidades diz muito sobre a sua competência e como aborda os problemas. De Julho a Setembro assistiu-se a tentativas de manipulação, tendo valido de tudo. Que em Bruxelas havia mais lixo do que em Lisboa com a presidente da autarquia a divertir-se nas redes sociais, os avençados tiravam fotografias de caixotes limpos, um idiota assegurava que era a oposição que incentivava os turistas a jogarem o lixo para o chão, que os visitantes eram uns porcos.

Chegados a Outubro fomos surpreendidos pela justificação oficial, que a empresa contava com 20 profissionais mas 10 estiveram de baixa. A causa da sujidade foi uma epidemia na Eco Ambiente, o que nos faz recear que se o número de doentes aumentar no próximo ano teremos de ir para Isla Canela. EM sessão de câmara a autarca informou os vereadores da justificação dada pela empresa e nem foi necessária qualquer comunicação oficial, para a presidente bastou uma explicação do senhor Salas. Enfim, será que o senhor Salas também esteve doente até outubro e só nessa ocasião a presidente esteve a oportunidade de ser informada.

É assim que se gere um concelho, que se protege a saúde dos cidadãos, que se assegura uma imagem de excelência da nossa oferta turística. Enfim, há mais lixo para além do lixo.

PS: Neste post há um erro de interpretação, quando a autarca disse que metade do pessoal da recolha do lixo estava de baixa referia-se ao problema ocorrido durante a Feira da Praia.