FALSOS VOLUNTÁRIOS PAGOS EM ESPÉCIE


Parece que os trabalhadores da CM não terão respondido em massa ao apelo do camarada Álvaro Babita, o grande líder do proletariado do Município, e o desfile ficou sem plebeus suficientes para acompanharem o Marquês de Viana Álvaro de Araújo.

Portanto teve de “apelar” aos trabalhadores das escolas, mais precisamente dos assistentes técnicos e dos assistentes operacionais, isto é, dos trabalhadores das escolas que dependem da Câmara Municipal e para quem este apelo é quase uma ordem. Reza o e-mail do camarada Babita o seguinte:

«Nos próximos dias 17, 18 e 19 de maio irá decorrer a 2.ª edição do Festival Histórico Setecentista e, neste sentido, o executivo do município solicita a colaboração enquanto voluntários, dos assistentes operacionais e assistentes técnicos.

De acordo com o que foi articulado entre o município e o agrupamento existirá uma compensação de dois dias de férias por cada dia de voluntariado.

Assim, apela-se à participação do PND, nos diversos quadros históricos e cortejos que decorrerão de acordo com a seguinte informação:

Cortejos históricos:

> dia 15/5 - 21h00 - ensaio dos participantes

> 18 de maio - sábado - 18h30 - 1º cortejo

> 19 de maio - domingo - 20h30 - 2º cortejo

Ajudantes das profissões e quadros de animação:

> Nobres Casa Engenharia

…»

A linguagem é digna de um grande comunista “solicita colaboração enquanto voluntários”, isto é, solicita que os trabalhadores sejam voluntários, o que vindo de um vereador é quase uma ordem, já que toda a gente sabe que quem não lhes faz a vontade vai para a lista negra.

Mas o mais curioso é que estes voluntários são pagos em espécie, como nem a CM nem as escolas têm base legal para pagar horas extraordinárias, já que o exercício de palhaçadas não faz parte das suas funções. Então comete-se uma barbaridade laboral, paga-se em espécie sob a forma de “dois dias de férias por cada dia de voluntariado”.

Uma barbaridade legal por duas razões, porque nem o Babita, nem o Araújo nem os seus amigos do agrupamento escolar têm competência para elaborar tabelas remuneratórias. Além disso férias são um direito que faz parte da lei e não significam dias de folga, como é o caso. EM qualquer caso, ao remunerar desta forma, o agrupamento escolar e a CM estão dando um pontapé no traseiro da lei.

Esta manobra menos digna, em cima da hora mostra as dificuldades em mobilizar “voluntários” algo, que por exemplo, nunca sucedeu em VRSA com os corsos de Carnaval. Durante meses muitos vila-realenses ocupavam os serões fazendo as flores de papel usadas na decoração dos carros e muitos davam semanas de trabalho para construir os carros, à semelhança do que ainda sucede em muitas localidades.

Aqui, ninguém quer alinha nas palhaçadas do Araújo e recorre-se a “voluntários” sem vontade de ir.