Análise aos três festivais históricos do Baixo Guadiana, Alcoutim, Castro Marim e VRSA) que nos foi enviada por um leitor do LdF:
Os três municípios do baixo guadiana todos eles têm
festivais que recriam períodos históricos, nomeadamente o Festival Contrabando
(Alcoutim) , Dias Medievais (Castro Marim) e Festival Setecentista (Vila Real
de Santo Antônio).
Sendo o Contrabando o festival do período histórico mais
recente admitimos ser o de mais fácil recreação, logo com orçamento mais
reduzido.
Dos três festivais, o de Castro Marim é o único que tem
entrada paga pelos visitantes, o de Alcoutim é pago parcialmente (atividade de
cruzar a ponte) e o Festival Setecentista da cidade pombalina é totalmente
gratuito para quem o visita.
Os dias Medievais de Castro Marim é um evento já com
créditos firmados a nível nacional, sendo o mais antigo dos três (penso que
terá cerca de 25 anos) apesar de ser pago pelo visitante, é o que tem maior
afluência de público (dados recolhidos
enquanto visitante dos três festivais, não encontrei dados oficiais que
confirmem o número de visitantes dos três festivais).
Penso que quanto ao orçamento, os Dias Medievais de Castro
Marim serão os mais dispendiosos para os cofres do Município, seguidos pelo
Festival Setecentista, sendo o Festival Contrabando de Alcoutim o mais Barato
de Organizar.
Quanto ao impacto económico, leia-se visitantes, penso que o
Contrabando face ao número de visitantes, ainda que menor que os Dias Medievais
de Castro Marim, no meu entender, é o que de longe tem maior impacto para a
atividade económica da localidade organizadora.
Por seu turno, o Festival Setecentista de Vila Real de Santo
Antônio, com um orçamento ligeiramente inferior aos Dias Medievais (pelos
valores publicados no Portal BASE Gov) foi dos três, o que menos visitantes
teve e menor impacto económico gerou na localidade organizadora.
Pode-se concluir que dos três festivais o que tem um melhor
custo/benefício para a localidade organizadora é o Contrabando, sendo o
Setecentista o com pior desempenho.
A que se deve este pior desempenho por parte do festival
Setecentista?
Em parte, por ser o mais recente, certamente. Mas terá de
haver mais motivos. Como se explica que no cortejo, o ponto alto do festival, a
maioria dos assistentes eram familiares das pessoas que desfilavam? Como se
explica que o comércio local de vila-realenses no domingo estivesse encerrado
(as lojas abertas eram as dos comerciantes chineses que já ocupam 30% da
avenida e as lojas de “Multinacionais” que ocupam outros 30%); Será que a falta
de visitantes se deve à fraca promoção ou à altura do ano? O festival
contrabando também se realiza numa época baixa e não é por isso que não é um
sucesso de visitantes; Será pelo pouco rigor histórico do festival pombalino?
Seria um debate interessante a ser lançado pelo Largo da
Forca, saber as causas do insucesso do Setecentista que tão caro nos custou….