O pior erro que um político pode cometer é reinventar-se
numa personagem falsa, quase imaculada, sem defeitos e pecado, uma espécie de
anjo da política. Quando um político o tenta fazer é porque pretende esconder
quem é, como é e qual o seu verdadeiro caráter.
Este é o erro que o Araújo tem cometido desde que teve de
deixar o IEFP e expor-se. Ganhou as eleições quando a esmagadora maioria dos
eleitores não o conhecia, porque até então apenas alguns das escolas e do IEFP
tinham tido a oportunidade de conviver de perto. E desde que ganhou o Araújo
tem gastado milhares de horas de trabalho da sua vasta equipa de imagem e centenas
de milhares de euros da nossa CM a reinventar um Araújo imaginário, mais
precisamente o Araújo com todas as qualidades imaginárias.
É o bom marido, é o bom pai, preocupa-se muito com os
idosos, adora crianças, recebe todos os que querem falar com ele, viaja para
defender o concelho, é caridoso, é crente e ecuménico, trabalha de forma
incansável para o bem comum, o Araújo é tudo o que de bom tem um político. E
ainda por cima sem o mais pequeno defeito.
O problema desta estratégia idiota é óbvio, se um político
tenta impingir-nos a imagem de um político é porque faz tudo para que o verdadeiro
não seja conhecido. Só que isso foi possível enquanto não foi eleito e foi
tratando da sua imagem, agora todos conhecemos o verdadeiro Araújo e não somos
apenas nós, que já o conhecíamos e por isso nos opusemos a esta personagem
desde a primeira hora.
Alguns empresários que o apoiaram, muitos dos que lhe
comprou com o voto para os desprezar no dia seguinte, os funcionários
perseguidos e alvo de vingança, os vila-realenses que foram silenciados nas
redes sociais dele e da CM, os que foram ameaçados e importunados pelo cunhado
e muitos outros.
Se o verdadeiro Araújo dificilmente
seria eleito o falso Araújo vaio levar uma tarei nas próximas eleições, isso se
sobreviver até lá.