ELES ‘ANDEM’ AÍ






 


Há a falsa ideia de que a justiça não funciona e durante muitos anos era comum em VRSA ouvir muitas expressões de descrédito na justiça e, em particular, no Ministério Público até que um dia todos ficámos a saber onde fica Évora.

Aquando do lançamento do PRR a Procuradoria-Geral da República informou que criaria um grupo para acompanhar estes dinheiros “fáceis”. Hoje o tema volta a ser primeira página do jornal Público colocando o foco sobre o PRR Habitação, evidenciando grandes preocupações. É uma excelente notícia para o país.

Todos sabemos que em Portugal há um problema de corrupção endémica e basta acompanhar as notícias para percebermos que um dos principais centros deste verdadeiro furúnculo da vida política portuguesa são as autarquias.

Muitas autarquias são verdeiros coios de oportunismo, abuso, compadrio e corrupção, nas máquinas partidárias são muitos os que conseguem enriquecer ou, pelo menos, viver muito bem sem o merecerem à custa dos dinheiros das autarquias.

Veja-se o que se passa em VRSA com o atual mandato, quantos familiares inúteis estão encendo os bolsos, quantos boys e familiares entraram de um dia para o outro para os quadros, quantas situações de favorecimento como a que denunciámos hoje, com a CM a alcatroar as instalações de um amigo, quantas adjudicações diretas duvidosas, quantos concertos dados por um funcionário da CM que traiu os que o legeram para se bandear a troco de promoções e concertos com direito a muito descanso nos dias seguintes.

Mas voltando ao tema da habitação ousamos sugerir ao Ministério Público que começa a analisar processos de uma ponta do país, pode começar por esta ponta que é Vila Real de Santo António e acabar na outra ponta, em Valença, no Minho.

E porque deve começar por esta ponta? Porque os indícios de irregularidades graves ou mesmo extremamente graves são visíveis a olho nu. Vejamos alguns exemplos:

Exemplo 1: os três famosos prédios adquiridos, dois dos quais ficam na Rua de Angola.

Exemplo 2: Apartotel do Monte Fino

Exemplo três: Prédios do Cine Foz.

Isto é, três investimentos do PRR e três situações com muitas interrogações, é caso para dizer que neste concelho “Cada cavadela uma minhoca!”.

CASO DOS PRÉDIOS DA RUA DE ANGOLA:

Ainda estava longe das eleições e já o PS pressionava o executivo camarário para avançar com a Estratégia Local de Habitação? O Araújo e o Setúbal estavam preocupados com os sem abrigo ou na máquina partidária já se estavam montando negócios imobiliários?

A verdade é que mal se apanharam na CM rapidamente apareceu um negócio mais do que duvidoso com fundos imobiliários a venderem três prédios de um dia para o outro em condições muito duvidosos. Eram prédios com o ónus dos preços controlados, sobre os quais o Araújo sempre defendeu soluções jurídicas com base na sua situação jurídica.

De um dia para o outro o negócio foi feito a preços de mercado, com o Araújo a esquecer tudo o que tinha dito. Daquilo que nós não nos esquecemos é que o PS que sempre tinha tido orçamentos modestos, que nem arranja uma sede e onde só três dúzias de militantes pagam as quotas, gastou fortunas em outdoors do Araújo, numa megacampanha eleitoral antecipada, que começou antes das presidenciais com o Araújo a gastar mais dinheiro do que alguns candidatos presidenciais?

Obviamente, esses forte investimento não teve de ser declarado ao abrigo da lei das campanhas eleitorais, mas fica a dúvida: de onde veio tanto dinheiro? Das dívidas do Setúbal, da alfarroba do sogro ou saiu-lhes o Euromilhões?

CASO DO MONTEFINO

O Apartotel já tinha comprador, mas segundo se ouviu e nós sabemos pormenores, o investidor, que já pensava em mudar-se com a família para VRSA, recebeu um telefonema cheio de pressões por quem não as poderia fazer.

O investidor abandonou o negócio e em menos de nada o Araújo comprou o prédio, que afinal podia ser ocupado e lá colocou os seus falsos sem abrigo.

CASO DO CINE FOZ

Este caso está em curso e basta ler as cartas dirigidas pelos moradores do local a várias entidades, incluindo o ministro da Habitação, para se perceber que o negócio cheira mal que tresanda.

Falamos apenas de habitação, porque há outros dossiers onde não faltam indícios de grandes irregularidades, como a cobertura da escola, o abuso de adjudicações diretas, a contratação do assessor de comunicação socia, as avenças do Setúbal e família, as contratações de amigos, boys e familiares.