OS ESCLARECIMENTOS QUE O IHRU DEVERIA PRESTAR A VRSA E AO PAÍS



Parece que os senhores do IHRU sentiram uma vontade repentina de prestar esclarecimentos. Talvez os seus responsáveis aproveitem para esclarecer Vila Real de Santo António e todo o país, pelo que aqui vão algumas perguntas.

O IHRU concorda que se consiga habitação afugentando investidores com telefonemas para que um apartotel seja convertido em habitação para falsos sem abrigos?

Como explica o IHRU que num pequeno concelho, um dos mais pequenos concelhos do país, onde não há bairros totalmente degradados, onde se construiu mais habitação social já desde antes do 25 de Abril, onde não há bairros da lata, seja precisamente um dos campeões nacionais do investimento do PRR e muito provavelmente o maior e a grande distância do segundo, se o investimento for medido em termos de per capita?

Como explica o IHRU que no concelho campeão do PRR todo o investimento esteja concentrado numa única freguesia, a de Vila Real de Santo António, deixando de fora as outras duas freguesias, Monte Gordo e Vila Nova de Cacela? Não será estranho que nas outras duas de freguesias, uma com uma população de pescadores e outra com aldeias rurais, não se invista numa única habitação?

Considera o IHRU legítimo que numa pequena freguesia, com poucos terrenos disponíveis para construção, o mercado imobiliário seja eliminado, transformando uma CM como monopolista da construção?

Como explica o IHRU que uma única freguesia do Algarve, que conta com cerca de 12.000 habitantes, tenha aprovado um montante de cerca de 150.015.279 € e que para todo o Algarve o investimento total seja na ordem de373.405.116 €? Alguém compreende que uma freguesia com cerca de 12.000 habitantes represente 29,3%, quase um terço, do total do investimento do PRR para todo o Algarve, quando a população da freguesia de VRSA representa 2,6% da população de todo o Algarve?

Como explica o IHRU que o investimento no concelho do Porto, a segunda maior cidade do país onde são conhecidos vários bairros degradados, a começar pelo da Sé, represente apenas 37,5% de um investimento onde nada disso existe e tem apenas 12 mil habitantes?

Considera o IHRU lógico que além de se impedir a instalação de um apartotel, substituindo-o por residência para falsos sem abrigos, os dinheiros do PRR sirvam para monopolizar os melhores terrenos urbanos, daí resultando a eliminação de investimentos privados? Acha o IHRU lógico que em vez de investimento privado mais habitação social com os dinheiros do PRR a oferta fique limitada a metade porque com os dinheiros do PRR combinados com o poder de uma CM se impeça o investimento privado?

Considera o IHRU lógico que se elimine a hipótese de construção privada  em terrenos urbanos de grande valor, quando a habitação financiada pelo PRR tinha localizações alternativas, resultando daqui não só uma perda de oferta de habitação com perdas de receita fiscal em IMI, ainda por cima numa CM em falência técnica?

O IHRU concorda que um funcionário de uma força policial que se divorciou e vendeu o seu apartamento seja um dos primeiros a receber um apartamento num aldeamento turístico, com uma renda simbólica, porque estava em situação de sem abrigo?

O IHRU e os seus responsáveis não têm apenas de dar esclarecimentos sobre um negócio turvo, terá de responder ao país pela forma como a corrupção política fez uma distribuição de verbas que transforma o presidente da CM a que pertence a pequena freguesia de Vila Real de Santo António, tenha tantos milhões para distribuir a troco de votos, atuando no mercado imobiliário com muitas dezenas de milhões, fazendo concorrência desleal, impedindo investimentos privados, desvalorizando o património existente e, ainda por cima, impedindo com sinais de abuso de poder de um investimento numa unidade hoteleira.