Durante muitos anos as carreiras das camionetas da Rodoviária
Olhanense serviam as populações da serra e de Monte Gordo, para além de outros
destinos da região. Aprendi alguns nomes das aldeias da serra, como Martim Longo,
pelas placas das carreiras. Tinha um vizinho que era motorista destas
camionetas.
Os sacos eram carregados no tejadilho, onde se chegava por
uma escada situada na traseira arredondada. Para se mandar parar puxava-se um
cabo de cabedal que tocava a campainha. No interior respirava-se uma nuvem de
fumo de tabaco.
Hoje os tempos são outros e o nosso Araújo prometeu-nos uma
rede de mini bus elétricos que permitiriam aos portugueses conseguir bons
empregos nos Balurcos. Até asseguram nas redes sociais que havia dinheiro de
fundos europeus e o Araújo assegurou ao falecido Zé Mendes, ao microfone da
Rádio Guadiana que tudo se conseguiria, que se sentaria com os ministros e o
dinheiro viria.
Enquanto não formos para os tais empregos que o Araújo nos
assegurou que há nos Balurcos, resta-nos a nostalgia das camionetas da
Rodoviária Olhanense.