Quem nasceu e cresceu brincando na Praça Marquês de Pombal aprendeu a olhar para as suas laranjeiras como se fosse suas. Sempre as respeitámos, nunca as maltratámos e de vez em quando, às escondidas do Sabino ou dos outros polícias da esquadra roubávamos uma laranja, como se fossem laranjeiras do nosso quintal. Ainda por cima, as suas laranjas eram das mais saborosas da região.
Durante décadas eram viçosas, eram bem tratadas, regadas
como deve ser já que bebem alguma água e as pragas típicas eram combatidas.
Hoje estão ao abandono, colocaram uma que mais parece um bonsai, quase dá
vontade de rir. Com muito menos do que a Rosinha vai ganhar cantando o “entra duro
e sai mole”, tinham comprado uma mais crescida.
Abandonadas, mal regadas estão frágeis e como se isso não
bastasse estão infestadas de parasitas que ninguém combate. Um pulverizador e
uns litros de produtos para eliminar as pragas serão assim tão caros? Ou será
que um dia destes teremos de nos substituir à CM e tratar delas, para que
sobrevivam e a cor das suas laranjas voltem a alegrar a nossa alma de
vila-realenses, gente que ama a sua terra como poucos?