SÓ 16%, DIZ ELE



 

O Araújo tenta meter-nos os dedos pelos olhos desvalorizando um aumento brutal de 16% dizendo que é só um aumento de 8 cêntimos por metro cúbico. Este raciocínio do professor de espanhol faz-nos lembra a pergunta que se fazia às crianças da escola; o que pesa mais, um quilo de chumbo ou um quilo de algodão? 16% são 16% e é muito, mesmo muito para o aumento de um produto básico que já é caro. Naturalmente um aumento de 16% do preço de uma grama de ouro representa muito mais do que 16% de um metro cúbico de água. O problema é quantos metros cúbicos e, portanto, quantos 8 cêntimos as pessoas terão de pagar.

Mas o Araújo não se limita a meter-nos os dedos pelos olhos, também lhes atira areia, tentando enganar-nos, mostrando alhos com bugalhos. Vejamos o que a empresa Águas de Vila Real de Santo António informa no seu comunicado aos consumidores:

« Nos termos previstos contratualmente a atualização tarifária seria de cerca de 50%, não sendo possível à empresa continuar a manter por mais tempo o tarifário sem pelo menos incorporar a inflação. E este é o acordo a que chegou com o Município permitindo aos seus clientes uma significativa poupança.»

Isto é, no contrato há dois tipos de atualizações de preços previstas, os correspondentes ao que resulta da inflação e os que estão associados aos investimentos. Os dois aumentos juntos resultariam num aumento de 50%.

O que nos diz a empresa, que houve um acordo e que este aumento corresponde à inflação. Resta saber se a empresa recebeu compensações e que compensações recebeu pela perda de receitas correspondente aos 34% de aumento de que prescindiu. Abdicou deles tendo em conta os bonitos olhos do autarca, ou foi feita alguma renegociação do contrato?

Da última vez que o Araújo fez uma renegociação de um contrato, foi com a ECOAMBIENTE, dessas grande renegociação resultou que a CM passou a pagar mais 20.000 € mensais e, entretanto, já foi aumentada a taxa de resíduos sólidos. Portanto, seria interessante se o Araújo cumprisse com a sua obrigação de informar os vila-realenses e na próxima reunião da Assembleia Municipal divulgasse o acordo a que chegou com a Águas de VRSA pois, como diz o povo, não há almoços grátis e o mais certo que é tenham mandado o lixo para debaixo do tapete.

Outro pormenor do discurso do Araújo é que estão em causa aumentos que deveriam ter sido feitos a partir de 2020. Recordamos que 2020 foi um ano de pandemia e de confinamento, período durante o qual em nenhum município do país se aumentou o preço da água e as empresas estava proibidas de suspender os serviços por falta de pagamento. Durante esse período muitos negócios de VRSA estiveram encerrados quase durante todo o tempo e muitos vila-realenses ficaram sem rendimentos.

Falamos de um período que abrange 5 anos e recordamos que o Araújo tomou posse no segundo ano desse período, já com a pandemia ultrapassada e, portanto, se nada se decidiu foi por decisão dele que assim foi. Desses cinco anos quatro são da sua responsabilidade, sendo, no mínimo, desonestidade sugerir que a culpa foi da sua antecessora.

Mas, pior do que isso, os anos com maiores taxas de inflação foram os que se seguiram à invasão da Ucrânia pela Rússia, quando subiram os preços dos combustíveis e isso desencadeou um aumento brutal dos preços dos produtos alimentares, que foram também pressionados, pelas dificuldades de exportação de produtos agrícolas ucranianos e, em especial, dos cereais, pelos portos ucranianos do Mar Negro, cujos acessos estavam minados.

Portanto, desses 16%, uma boa parte, muito mais de 10% diz respeito à inflação registada já com o Araújo como presidente da CM. Em vez de encarar as dificuldades, mandou a inflação para debaixo do tapete e agora, quando a empresa não podia mais, tenta enganar-nos, não assumindo as suas responsabilidades.

Retomando as piadas da escola sugerimos ao Araújo que faça o que o saudoso Eng. Barroso mandava fazer aos seus alunos da escola industrial, que vá à farmácia comprar 100 gramas de eletricidade em pó!