A foto remonta a 2018, uma época em que a pesca da sardinha já definhava, adivinhando-se a sua morte. Primeiro foi a perda de competitividade das conservas, depois o esgotamento dos stocks de sardinha e a deslocalização da indústria para outras paragens.
Foi o fim de um ciclo económico de grandeza que não se
repetiu e assinalou o fim de um ciclo de riqueza. Nesse tempo o comércio
transfronteiriço reanimava a economia local e o turismo trazia novas
esperanças.
Mas a abertura das fronteiras e a adoção do euro reduziu o
negócio dos trapos e da peseta, nunca mais recuperando. Quanto ao turismo
trouxe cada vez mais gente e menos dinheiro. Agora promove-se a imagem do
turismo pimba, que come no Pingo Doce e bebe minis e, infelizmente, é essa a
imagem turística que promovem.
Passam a vida no laréu, de feira em feira de turismo, mas
depois gastam fortunas a promover eventos chunga que atrai o mau turismo,
enquanto o bom turismo enriquece os concelhos vizinhos.
O comércio tradicional e, em especial, o que está virado
definha, enquanto florescem os supermercados e o comércio ambulante. OS
supermercados mataram o mercado, os talhos e as mercearias, enquanto o comércio
ambulante não só destrói a imagem turística de Monte Gordo e VRSA, como arrasa o
restante comércio, vendendo má qualidade, contrafação e sem ter de suportar
IVA, IRS, IMI ou IRC. Fogem os turistas com recursos e os compradores.
A falta de visão e de competência estão conduzindo o
concelho e, em especial, a freguesia de Vila Real de Santo António, para um
ciclo de pobreza.
Aqui fica a nossa homenagem aos nossos pescadores, a quem devemos muito do orgulho que temos do concelho que somos, quer dos que aqui nasceram como dos que fizeram sua a nossa terra, tratando-a com o mesmo carinho que nós.