SFF, SABE ONDE FICA O CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DO GUADIANA?



Não, nunca ouvi falar dele...

Esta deveria ser a resposta mais provável se algum cidadão descuidado tivesse ouvido falar do Centro de Interpretação do Guadiana, um projeto aprovado nos tempos da bazófia paga a preço de ouro, mas já numa fase em que a autarquia de Vila Real de Santo António já não tinha com que mandar cantar um cego, apesar de continuar a dar a sensação de fartura à custa do endividamento do concelho.

Nessa época o concelho vivia inundado pela bazófia do Baixo Guadiana e do Cluster do mar, ainda hoje há por ai quem se aproveitem bem para efeitos de comunicação de temas como a eurocidade ou o Guadiana. Mas o mais curioso é que esse centro existiu no projeto, este foi aprovado em Bruxelas, foram recebidas centenas de milhares de euros de fundos comunitários. Mas como quase tudo o que foi prometido, desde a casa do avô na sede do concelho a muitos projetos imaginários, como o hotel Melia ou o centro de cuidados continuados, o Centro de Interpretação do Guadiana esfumou-se.

E é uma pena, ter um Centro de Divulgação do Guadiana em VRSA era quase como fazer de VRSA numa espécie de capital do Rio Guadiana. Mas parece que o Centro de Interpretação do Guadiana não existe e não vai existir, no seu lugar há um café com sala de fumo de charutos, algo muito importante para o progresso do concelho. Um concelho que não tem dinheiro para levar estudantes a Faro e alguém lhes diz para irem pedir o autocarro a Castro Marim, gastou centenas de milhares de euros para que um pequeno empresário tenha um café quase à borla no edifício com mais dignidade e história do concelho.

Mas pior do que isso, aquele centro resultou de um compromisso com Bruxelas e enquadrava-se num projeto que envolveu os concelhos banhados pelo Guadiana, a jusante de Mértola. Ignorar o combinado e usar o edifício como café e sala de fumo, violando as regras mais elementares dos fundos comunitários é muito grave, quer pela imagem que se dá do concelho, quer pelas suas consequências financeiras. Faltou-se à palavra e violaram-se normas elementares.

Aquilo que sucedeu em VRSA, com o apoio de muito boa gente que ainda não perdeu a vergonha, fou uma espécie de circo ou de feira. Terminado a feira sucedeu o costume, os feirantes partiram e ficou o lixo, o que neste caso é uma dívida imensa e quase insustentável, que faz perigar a própria existência do concelho enquanto tal. O Centro de Interpretação do Guadiana não passou de mais uma barraca no meio das muitas que foram desmontadas.